Exclusivo: por dentro da primeira semana de moda vegana em Los Angeles

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Exclusivo: por dentro da primeira semana de moda vegana em Los Angeles

REPORTAGEMA primeira fashion week vegana do mundo aconteceu este fim de semana em Los Angeles, nos Estados Unidos, reunindo marcas do mundo todo. Algumas eram 100 por cento veganas, enquanto outras possuem coleções veganas mas ainda não eliminaram todos os materiais de origem animal do catálogo.

“Se nos juntarmos, teremos um impacto maior”, disse a ativista francesa Emmanuelle Rienda, organizadora do evento, à FashionUnited. A ideia é que as marcas troquem ideias e trabalhem juntas na construção de uma indústria da moda menos dependente dos animais. “O importante é juntar todas essas pessoas e encorajá-las a mudar tecnologias, inovar, trazer novas ideias”.

Entretanto, a intenção não é ser um evento de nicho. “Queremos ser um evento mainstream no qual mostraremos às pessoas que é possível produzir moda de qualidade com compaixão e amor por todas as espécies”, explicou Rienda. “A Vegan Fashion Week vai continuar existindo até que todas as grifes adotem o veganismo como norma, pois não há mais espaço para crueldade ou poluição do planeta”.

Mas por que Los Angeles? “É a maior cidade no mundo a ter proibido testes em animais, venda de peles e foie gras. Acredito não só que o público aqui esteja preparado para a nossa mensagem mas também que Los Angeles possa se tornar a capital da moda de luxo ética”, disse Rienda.

Como foi a primeira Vegan Fashion Week nos EUA

O evento começou na sexta-feira, 1o de fevereiro, com uma festa intimista no Museu de História Natural de Los Angeles, onde as peças que fariam parte do desfile do dia seguinte foram reveladas em primeira mão para convidados VIP. Foram servidos drinks e canapés feitos pela chef vegana Marie-Sophie L, autora dos livros e workshops L’Instant Cru, que ensinam a cozinhar usando apenas vegetais crus.

Entre os estilistas participantes, Rienda destaca Ran Enda, uma japonesa radicada em Nova York que já trabalhou para marcas como Ralph Lauren e Dianne von Fustenberg. “A Enda tinha um cargo muito bom na Ralph Lauren, mas decidiu largar o emprego e abrir uma marca própria que estivesse de acordo com seus valores”, contou a organizadora. “É isso que eu amo nessas pessoas. Elas vivem a sua verdade e não têm medo de contrariar as massas para mostrar o que é melhor”.

Até mesmo as modelos que participaram do desfile do dia seguinte são de uma agência que promove o estilo de vida vegano, a Margaux the Agency. Quanto às peças, o couro dominou boa parte dos looks, em versões feitas com fibras de abacaxi e casca de maçã. Peles falsas foram outra presença constante na passarela. Muitas das marcas participantes também têm uma séria preocupação com a sustentabilidade, dando preferência a materiais reciclados e tinturas naturais.

Nos dias 2 e 3 de fevereiro, os estilistas puderam conversar com jornalistas, consumidores e varejistas interessados em vender seus produtos, em um espaço montado no centro de convenções California Market Center. Além das grifes presentes no dia interior, marcas alimentícias e de beleza também contaram com stands. Além disso, os visitantes puderam assistir a palestras sobre direito dos animais, inclusão social e outras questões que os organizadores julgam urgentes na indústria da moda.

O evento terminou na segunda-feira, dia 4, com uma festa privada para arrecadação de fundos para levar a semana de moda vegana para mais países. Rienda quer transformá-la num evento internacional.

Reportagem e fotos: Dale Arden Chong. Texto: Marjorie van Elven