Moda e arte no trabalho de Fernanda Yamamoto

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Moda e arte no trabalho de Fernanda Yamamoto

A paulistana Fernanda Yamamoto iniciou sua marca em 2007 sendo que em 2009 abriu sua loja homônima, na Vila Madalena, em São Paulo. No mesmo espaço funciona seu ateliê, que conta com 13 funcionários. Formada em administração de empresas pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, tem um trabalho bastante autoral, em que a modelagem se destaca pelas formas fluidas e com dobraduras que nos remetem muitas vezes ao origami.

A paixão pela moda foi descoberta em 2001, segundo ela. “Aos 22 anos, formada em Administração, eu estava insatisfeita. Durante o dia eu trabalhava na área administrativa da empresa de minha família e à noite fazia um curso de moda na FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado – onde conheci Jun Nakao e fiz alguns trabalhos com ele; na verdade ele foi meu grande mentor,” conclui. A seguir ela cursou moda na Parsons – Art and Design School, em Nova Iorque.

No ano em que abriu sua loja, enviou projeto para o Rio Moda Hype, evento que lança novos estilistas e suas criações foram elogiadas pelo estilo autoral e a ênfase na experimentação. Em 2010 estreou nas passarelas do SPFW – São Paulo Fashion Week - e nesse mesmo ano desfilou na Semana de Moda do Japão.

Histórias rendadas

A coleção apresentada em outubro de 2015 no SPFW mostrou o resultado de um projeto de imersão que a estilista fez no sertão da Paraíba, com 77 rendeiras da região do Cariri, que desenvolvem a renda Renascença. O processo foi todo documentado num vídeo. A estilista propôs novos desenhos para a renda tradicional da região e o mesclou com couro, lã, tricô, resultando numa coleção bastante enaltecida pela crítica. O sucesso rendeu um convite para um desfile em Bogotá, Colômbia, e uma menção honrosa na Bienal Interamericana de Design, na categoria Têxteis e Moda.

Processos experimentais

A experimentação é uma das bases do desenvolvimento do trabalho da estilista. Na última coleção apresentada em julho de 2019 no SPFW as peças tiveram o capitonê (processo usado em decoração) em detalhes, sendo realizado manualmente pela Oficina dos Anjos, uma iniciativa ligada à Rede de Saúde Mental e a Ecotece, ONG que fomenta grupos e cooperativas de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Segundo Fernanda o trabalho manual joga luz para o ser humano por trás do processo. “Quando pensamos num projeto social como este, o que ganhamos, o que ensinamos, o que a aprendemos, estamos pensando em sustentabilidade, trata-se de um conjunto de valores que vão criar as nossas ações e como nos relacionamos com o outro”, destaca a profissional. Em cada peça da coleção foi colocada uma etiqueta que aponta o nome de quem fez a costura. “Dessa forma o consumidor percebe o valor agregado ao produto e aprecia o trabalho,” justifica.

Na coleção anterior Fernanda havia utilizado tingimentos naturais, vindos de elementos da agricultura de Mirandópolis, da comunidade Nikkei Yuba, fundada em 1930, inspiração do projeto. O trabalho foi resultado de dois anos de visitas da profissional e sua equipe à comunidade, que une agricultura e arte, em forma de cooperativa. “Fiquei bastante tocada com a questão roça versus arte. Uma atividade influencia a outra: a delicadeza com que se toca um instrumento é levada em conta na hora de tratar um alimento. Da mesma forma, o peso do trabalho braçal é suavizado com a sutileza das artes”, conta Fernanda. Esse sentimento se traduziu na passarela por meio de tecidos leves e outros mais encorpados, com texturas diferentes e tonalidades que nos remetiam à terra. As peças tinham por base três formas: círculo, triângulo e quadrilátero, com confecção sofisticada.

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Experimentação de novas técnicas, pesquisas aprofundadas sobre temas determinados e o envolvimento com ONGs e entidades de trabalhos sociais são destaques da marca. A estilista, além dos 13 funcionários fixos, conta com aproximadamente 50 outros divididos em oficinas terceirizadas de gradação, produção, estamparia e corte a laser. Design original, modelagem e acabamento são prioridades em cada coleção, que conta com aproximadamente 3 mil peças.

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Sua loja em São Paulo tem 240m quadrados e foi projetada em parceria com o arquiteto Mauricio Xavier, com andaimes ao invés de araras e muito vidro, madeira e elementos high tech.

Fotos: Agência Fotosite (desfiles) e Nathalie Artaxo (loja)