Avaliação do IPO da Shein é reduzida em meio a crescimento mais lento e escrutínio regulatório

A varejista online de fast fashion Shein, com sede em Singapura, mira uma avaliação de mercado entre 25 bilhões e 28 bilhões de dólares para sua próxima oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) na bolsa de valores de Hong Kong, conforme reportou a Reuters, citando fontes de mercado.

O valor representa uma queda acentuada em relação às expectativas anteriores, que variavam entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares, e equivale a um quarto da avaliação de 98,2 bilhões de dólares alcançada durante uma rodada de captação de recursos em 2022.

A Shein planeja emitir até oito por cento do total de suas ações, o que elevaria o tamanho da oferta a dois bilhões de dólares na marca de avaliação de 25 bilhões de dólares. As expectativas reduzidas evidenciam o impacto do crescimento mais lento, das políticas de comércio internacional mais rígidas, do aumento do escrutínio regulatório e da concorrência cada vez mais acirrada no setor global de e-commerce.

Métricas operacionais superam as de concorrentes tradicionais do fast fashion

Apesar dos ventos contrários, o prospecto da empresa delineia um crescimento histórico sustentado na receita bruta. A Shein registrou receita líquida de 41,8 bilhões de dólares em 2025, refletindo uma taxa de crescimento anual composta (CAGR, na sigla em inglês) de 14,2 por cento entre 2023 e 2025. No mesmo período, o lucro líquido atingiu 2,06 bilhões de dólares. O número de clientes ativos expandiu de 186 milhões em 2023 para 273 milhões em 2025, representando um CAGR de 21,2 por cento.

No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida cresceu 1,1 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 9,1 bilhões de dólares. No entanto, a varejista registrou um prejuízo trimestral de 99 milhões de dólares no período, à medida que o crescimento desacelerou após a eliminação de uma isenção tarifária de importação nos Estados Unidos para pequenas encomendas, somada a um lançamento contábil pontual.

Shein aposta na abordagem de baixo estoque para superar a concorrência

O pilar central do modelo financeiro é o sistema proprietário LATR (Large-scale Automated Test Reorder, ou Sistema Automatizado de Teste e Reordenação em Larga Escala). Apoiado por uma rede de fornecimento ágil, o modelo operacional permite que a Shein teste rapidamente conceitos de design em pequenos volumes antes de realizar pedidos maiores com base na demanda em tempo real.

A abordagem de baixo estoque gerou eficiência operacional, com um giro médio de estoque de 36 dias. Esse número se compara a 71 dias no grupo espanhol Inditex, 114 dias no grupo japonês de varejo Fast Retailing e 164 dias na marca alemã de esportes Adidas. Após sua listagem na bolsa de valores, a Shein se comprometeu a manter uma taxa de distribuição de dividendos de no mínimo 50 por cento.

Atualmente atendendo consumidores em cerca de 160 mercados, a Shein planeja utilizar o capital captado com sua listagem em Hong Kong para ampliar sua infraestrutura tecnológica, expandir sua presença comercial global e fortalecer sua capacidade logística.


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