Calçadistas brasileiros sofrem com balança comercial desequilibrada
Segundo dados da Abicalçados - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados – com base em números divulgados pela Secex - Secretaria de Comércio Exterior - no acumulado do ano, as importações somaram 22,9 milhões de pares e 258,93 milhões de dólares, elevações de 18,2 e 14 por cento, respectivamente, ante o mesmo ínterim do ano passado, sendo que os países asiáticos dominaram o segmento. Só da China chegaram 9,28 milhões de pares ao custo de 22,35 milhões de dólares, incrementos de 28,8 e 11,6 percentuais ante o mesmo período de 2025; o segundo país, o Vietnã, foi responsável pela entrada de 5,6 milhões de pares a 124,55 milhões de dólares, o que significou aumento de 5,4 e 19,7 por cento, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado; e por fim a Indonésia, da qual recebemos 3,27 milhões de pares e pagamos 61,96 milhões de dólares, representando queda de 10 percentuais em volume e salto de 5,1 por cento em receita no comparativo com o intervalo correspondente de 2025.
Só em maio entraram no Brasil 3,28 milhões de pares, pelos quais foram pagos 43,78 milhões de dólares 14,6 por cento a mais em volume e 14,7 percentuais em receita em relação a abril. Destacam-se as principais origens asiáticas com China liderando, responsável por 991,3 mil pares, recebendo 3,62 milhões de dólares, elevação de 22,8 por cento em volume e queda de 0,5 percentual em receita ante maio de 2025; a seguir vieram os calçados vietnamitas (958,97 mil pares ao custo de 19,96 milhões de dólares, configurando queda de 4 por cento em volume e aumento de 4,9 percentuais em receita); e como terceiro no ranking, a Indonésia, que nos enviou 459,3 mil pares ao custo de 9,18 milhões de dólares, queda de 9,1 percentuais em volume e incremento de 20,3 por cento em receita.
Exportações em queda
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, as exportações somaram 40,9 milhões de pares e 349 milhões de dólares, atingindo quedas tanto em volume (-10,7 percentuais) quanto em receita (-18,3 por cento) em relação ao mesmo ínterim do ano passado. Os dados revelam ainda que em maio, a indústria calçadista brasileira embarcou 6,42 milhões de pares por 64,53 milhões de dólares - quedas de 5,2 e 17,4 por cento, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, explica num comunicado que os dados seguem refletindo os impactos da política tarifária estadunidense e do contexto macroeconômico e concorrencial na Argentina. “Mesmo os Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro, tendo retirado a tarifa adicional de 40 por cento para importações do Brasil em fevereiro, não tivemos retorno imediato aos patamares pré 2025”, explica, ressaltando que existe uma “defasagem” entre pedido, produção, embarque e registro da exportação. “Parte das exportações brasileiras de março a maio de 2026 ainda reflete decisões comerciais tomadas quando o mercado estava sob tarifa de 40 percentuais”, acrescenta.
Além disso, o executivo destaca que a queda registrada para os Estados Unidos no último mês, foi influenciada pela elevada base de comparação do mês de maio de 2025 - mês atípico em razão do anúncio, à época, das tarifas recíprocas globais, que reforçaram a busca por fornecedores alternativos à Ásia. “Quando maio de 2026 é comparado com o mesmo mês de 2024, cenário em que não haviam tarifas adicionais, as exportações superaram em 7,5 por cento o volume exportado aos Estados Unidos”, frisa, concluindo que os dados mais recentes indicam tendência de normalização dos embarques em relação a um cenário pré-tarifas.
Ferreira manifesta preocupação, ainda, com a manutenção da incerteza regulatória no mercado norte-americano, inclusive em função das investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio e a orientação de aplicação de tarifas adicionais que podem alcançar 37,5 – 25 percentuais com base nas investigações relacionadas ao Brasil e 12,5 por cento com base nas investigações gerais relativas à trabalho forçado - sobre importações brasileiras.
Estados Unidos: apesar das tarifas, é o principal destino do calçado brasileiro
Os Estados Unidos continuam sendo nosso principal destino das exportações calçadistas. No acumulado de 2026, as exportações para o país somaram 4,8 milhões de pares e 68,16 milhões de dólares, incremento de 0,1 percentual em volume e queda de 25 por cento em divisas em relação ao mesmo intervalo de 2025. Em maio, seguindo a tendência, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os EUA, para onde foram exportados 984,5 mil pares que geraram 13,65 milhões de dólares, significando quedas de 21,8 e 42,3 percentuais, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado.
O segundo destino do calçado brasileiro no exterior segue sendo a Argentina, que no acumulado dos cinco meses, as exportações brasileiras somaram 2,42 milhões de pares e 68,16 milhões de dólares, com quedas bastante significativas de 57,8 e 59,7 por cento em relação ao mesmo intervalo de 2025. Em maio importou 402,73 mil pares brasileiros por 6,48 milhões de dólares, quedas de 63,2 e 57,7 percentuais, respectivamente, ante o mesmo mês do ano passado.
Fecha o ranking dos três principais destinos de 2026 o Paraguai, que no acumulado de janeiro a maio, recebeu 3,6 milhões de pares por 20,2 milhões de dólares, novamente queda de 8,2 por cento em volume e incremento de 14,3 percentuais em receita na relação com intervalo correspondente de 2025. Já só em maio importou 900,87 mil pares por 4,3 milhões de dólares, com altas de 59,2 e 19,2 por cento, respectivamente, ante o mês cinco do ano passado.
Projeções refletem humor das tarifas
Diante das incertezas regulatórias e dos impactos decorrentes das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, bem como da possibilidade de novas sobretaxas, somadas às quedas registradas no mercado argentino, as exportações brasileiras de calçados devem encerrar 2026 com retração entre 4,1 e 8,9 percentuais, conforme prevê a Inteligência de Mercado da Abicalçados. Apesar do crescimento acumulado dos embarques para a América Central e Caribe e para parte relevante dos países da América do Sul, esses mercados têm funcionado apenas como vetor de compensação parcial.
- As importações de calçados no Brasil aumentaram 18,2% em volume e 14% em receita no acumulado do ano, com a China, Vietnã e Indonésia dominando o segmento.
- As exportações de calçados brasileiros caíram 10,7% em volume e 18,3% em receita nos primeiros cinco meses do ano, impactadas pelas políticas tarifárias dos EUA e pelo cenário macroeconômico da Argentina.
- Os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações de calçados brasileiros, apesar das quedas em volume e receita, enquanto a Argentina e o Paraguai seguem como importantes mercados, com projeções de retração para as exportações brasileiras em 2026 devido às incertezas regulatórias e tarifas.
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