Efeitos do tarifaço: indústria calçadista brasileira perde 4 mil postos de trabalho em novembro
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Tendo por base os números do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego – a Abicalçados - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados – compilou dados que apontam uma perda de 4 mil postos de trabalho na indústria calçadista em novembro último. Com isso, o setor encerrou o período de janeiro a novembro de 2025 com saldo positivo de 7,9 mil postos criados e estoque total de 290,2 mil pessoas empregadas na atividade, 1 percentual menos do que no mesmo período do ano passado.
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, destaca que o revés já era aguardado. “É um reflexo direto do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos aos calçados brasileiros. Com o tempo passando e sem uma solução para o impasse, as empresas perdem o fôlego para a manutenção dos empregos”, comenta o dirigente, ressaltando que, em novembro passado, as exportações para os Estados Unidos caíram quase 50 por cento, para cerca de 10 milhões de dólares.
Estados produtores e as vagas de trabalho
O principal empregador do setor calçadista no Brasil também foi o estado mais atingido pelo tarifaço dos Estados Unidos. O Rio Grande do Sul perdeu 1,53 mil empregos somente em novembro, encerrando os 11 meses de 2025 com saldo negativo de 1,8 mil postos. Com os números, as fábricas gaúchas encerraram novembro com estoque de 79,1 mil empregos na atividade, 5,5 percentuais menos do que no mesmo período do ano passado. “O Rio Grande do Sul é o principal exportador brasileiro de calçados para os Estados Unidos, tendo perdido, desde a aplicação do tarifaço, mais de 3,3 mil empregos. Infelizmente, era um movimento esperado”, avalia Ferreira.
Na sequência entre os estados empregadores do setor está o Ceará, que perdeu 865 postos em novembro, encerrando o período com saldo positivo de 472 empregos. Com os números, as fábricas cearenses finalizaram o mês 11 empregando 69,6 mil pessoas, 0,6 percentuais menos do que no mesmo período de 2024.
O terceiro maior empregador do setor foi a Bahia, que perdeu 313 postos em novembro e, ainda assim, encerrou o acumulado com 3,66 mil empregos criados. O estoque das fábricas baianas ficou em 44,53 mil empregos, 6,1 por cento mais quando comparado ao mesmo espaço de tempo de 2024.
São Paulo, outro estado fortemente atingido pelo tarifaço dos Estados Unidos, foi o quarto empregador, tendo perdido, em novembro, 663 empregos na atividade. O saldo dos 11 meses, no entanto, ficou positivo em 2,48 mil postos gerados. Com isso, as fábricas locais encerraram o período com estoque de 32,88 mil empregos na atividade, 1,3 percentuais menos do que no mesmo intervalo de 2024.
- A indústria calçadista brasileira perdeu 4 mil postos de trabalho em novembro, totalizando 290,2 mil empregos, 1% a menos que no ano anterior, devido ao "tarifaço" dos EUA.
- O Rio Grande do Sul, principal exportador para os EUA, foi o estado mais afetado, perdendo 1,53 mil empregos em novembro e acumulando um saldo negativo de 1,8 mil postos em 2025.
- Outros estados como Ceará, Bahia e São Paulo também registraram perdas em novembro, mas alguns mantiveram saldo positivo de empregos no acumulado do ano.