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Empresa dona da Vans, Kipling e Timberland pára de comprar couro do Brasil

A VF Corporation, empresa americana dona de diversas marcas de moda, incluindo Timberland, Kipling, Vans e Eastpak, decidiu parar de usar couro proveniente do Brasil em suas roupas, calçados e acessórios para não mais contribuir com os danos ambientais sendo perpetrados no país.

As queimadas na Amazônia aumentaram 84 por cento entre 1o de janeiro e 31 de agosto, em relação ao mesmo período no ano anterior, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Há três semanas, florestas ardem em chamas nos estados do Norte, se estendendo pelo Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, consumindo mais de 20 mil hectares de vegetação.

Levantamento do Greenpeace também utilizando dados do INPE revelou que nove em cada dez focos de incêndio em áreas destinadas ao agronegócio aconteceram em pastagens para criação de gado. O cálculo foi baseado nos 20 primeiros dias de agosto.

“A VF Corporation e suas marcas internacionais decidiram suspender a compra de couro e peles de animais do Brasil até que sejamos assegurados de que os materiais utilizados em nossos produtos não contribuam para os incêndios florestais no país”, declarou a empresa em nota enviada ao noticiário americano ABC News.

Mais empresas podem parar de comprar couro do Brasil

A ONG internacional Fashion Revolution, que defende maior sustentabilidade na indústria da moda, ressaltou que o Brasil é o segundo maior exportador de carne do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Cerca de 20 por cento da carne consumida no planeta vem do país, o que significa que uma parcela semelhante do couro usado mundialmente também é de origem brasileira.

A organização fez um apelo para que mais marcas de moda assumam responsabilidade pelas queimadas na Amazônia, verificando a procedência do couro que utilizam e certificando-se de que seus produtos não estejam conectados ao desastre. Como a cadeia de produção costuma ser vasta e complexa, para muitas empresas é mais fácil simplesmente parar de comprar couro do Brasil. Existe, portanto, a possibilidade de que mais empresas internacionais sigam os passos da VF.

José Fernando Bello, presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) enviou carta ao ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, para expressar sua preocupação. “Para uma nação que exporta mais de 80 por cento de sua produção de couros, chegando a gerar 2 bilhões de dólares em vendas ao mercado externo em um único ano, trata-se de uma informação devastadora”, escreveu.

O presidente Jair Bolsonaro tem sido apontado por cientistas e ativistas do meio ambiente como o grande responsável pelo aumento dos incêndios florestais na região da Amazônia. Além de negar o aquecimento global e ter ameaçado retirar o Brasil do Acordo de Paris, Bolsonaro recentemente aumentou de 5 para 20 o número de hectares que agricultores e pecuaristas podem queimar. Devido à pressão internacional, o presidente assinou um decreto proibindo a queimadas durante 60 dias -- no entanto, dois dias depois o decreto foi alterado para permitir a prática para agricultores fora da região conhecida como Amazônia Legal. De acordo com nota publicada no Diário Oficial, as queimadas estão liberadas para “práticas agrícolas, fora da Amazônia Legal, quando imprescindíveis à realização da operação de colheita, desde que previamente autorizada pelo órgão ambiental estadual".

Foto: Pixabay