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Enchentes em São Paulo causam prejuízo ao varejo e confecções

By Marta De Divitiis

12 de fev de 2020

A capital paulista amanheceu na segunda-feira em meio a um verdadeiro caos. O motivo foram as chuvas torrenciais durante a madrugada que resultaram em mais de 60 pontos de alagamento e vários casos de desbarrancamento em alguns bairros afetados, especialmente em locais de encostas. O INMET - Instituto Nacional de Meteorologia - registrou 114 mm de chuva entre a 9h do dia 9 e às 9h do dia 10, o equivalente a aproximadamente metade do volume usual do mês de fevereiro.

Entre os locais impactados estão os bairros do Brás e do Bom Retiro, polos de moda atacadista, próximos ao rio Tietê, que transbordou. Várias ruas foram alagadas sendo que muitas lojas e confecções ficaram inundadas. Com o alagamento das marginais dos rios Tietê e Pinheiros, que atravessam a cidade, o trânsito ficou parado (os carros, caminhões e ônibus ficaram parados por aproximadamente 11 horas, conforme foi mostrado em reportagens de TV) e muitas pessoas não conseguiram chegar ao trabalho. As rodoviárias não tiveram saídas e muitos ônibus que vinham para a capital paulista voltaram às cidades de origem.

Segundo Lauro Pimenta, conselheiro da Alobrás - Associação dos Lojistas do Brás - as poucas lojas que conseguiram abrir tiveram um dia atípico, quase sem clientes. Oficinas prestadoras de serviço ficaram alagadas tornando inviável o trabalho. “Mesmo aquelas oficinas que têm seguro não vão conseguir se reerguer da noite para o dia e é sempre difícil conseguir novos parceiros,”disse ao FashionUnited. O menor efeito, segundo Pimenta, foi perder o dia. Ônibus de excursão que trazem compradores de todas as regiões do país não conseguiram chegar e, provavelmente, evitarão vir para São Paulo durante essa semana, aumentando as perdas.

“É difícil contabilizar todos os prejuízos, tangíveis ou não como a perda de maquinários, estoques e carros; toda a logística ficou comprometida; imaginamos que no mínimo o Brás terá um prejuízo de pelo menos 20 milhões de reais, só nessa questão de não realizar vendas, de deixar de arrecadar,”complementou.

O Bom Retiro teve as ruas mais próximas à marginal Tietê, que também sofrem com uma infraestrutura defasada, com deficiência na vazão do escoamento de água, completamente alagadas. Nelson Tranquez, vice-presidente da CDL Bom Retiro - Câmara dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro - confirmou em entrevista ao FashionUNited que as ruas a partir da rua Barra do Tibagi sofreram um alagamento imenso. “Nessa área, em que nem há tantas lojas como na rua José Paulino (que não foi afetada), por exemplo, sempre há alagamentos. O que houve é que o volume dessa vez foi muito maior causando estragos em empresas que inclusive contavam com algumas medidas de contenção,”disse.

De acordo com Tranquez 30 a 40 por cento das lojas da região não abriram porque as pessoas - proprietários e funcionários - não conseguiram chegar até o local. As que conseguiram abrir quase não tiveram clientes e as indústrias da região deixaram de produzir, sem contar os ônibus de excursão que não chegaram também. “Pior seria se fosse em março, quando as fábricas estão em plena produção das coleções de outono/inverno e o volume de clientes é mais elevado; o prejuízo seria ainda muito maior,"concluiu.

Foto: Frame Harirak/Unsplash