Entidades empresariais se pronunciam sobre o fim da escala 6X1
Ontem, dia 15 de outubro, no fim da tarde, mais duas entidades se pronunciaram a respeito da aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que reduz a escala de trabalho 6X1, reduzindo a jornada de 44 para 40 horas semanais, conforme o FashionUnited publicou ontem. A Abicalçados - Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados e a Ablos – Associação Brasileira dos Lojistas Satélites de Shoppings divulgaram seus posicionamentos frente à questão.
A Abicalçados se manifestou preocupação com a medida e defende que “eventuais mudanças sejam conduzidas com responsabilidade, mais diálogo e equilíbrio, para que os avanços sociais sejam acompanhados da preservação das oportunidades de trabalho”.
Ainda segundo a entidade, “estudos técnicos realizados pela indicam que, mantido o atual número de trabalhadores e consideradas constantes as demais condições de produção no curto prazo, uma redução de 9,1 por cento nas horas de trabalho disponíveis poderá resultar em diminuição proporcional da capacidade produtiva do setor. Em uma indústria intensiva em mão de obra, formada predominantemente por micro e pequenas empresas, essa mudança representa desafios adicionais de adaptação e reorganização produtiva”, diz a nota.
“Diante desse cenário, a Abicalçados considera fundamental que a implementação das mudanças contemple condições adequadas de transição e adaptação, respeitando as particularidades dos diferentes setores e portes de empresas”, finaliza o informe.
Ablos prevê aumento de custos e desafios de contratação
A associação divulgou comunicado explicando os impactos diretos da medida, no varejo físico, especialmente nas operações em shopping centers.
A entidade reforça que, “embora a valorização do trabalhador seja fundamental, a redução da jornada no varejo físico e nos shopping centers — que operam sete dias por semana — exige planejamento e atenção às particularidades do setor. Além da escassez de mão de obra, as lojas precisarão realizar novas contratações para manter o funcionamento das operações, o que aumentará os custos e os desafios de gestão das equipes”.
Ainda de acordo com o informe, “a mudança também pode afetar a remuneração dos vendedores que dependem de comissões, caso a reorganização das equipes reduza suas oportunidades de contato com os consumidores e de realização de vendas”.
“Para a Ablos, é fundamental que a implementação considere a realidade do varejo e permita que as empresas se adaptem sem comprometer a sustentabilidade dos negócios e a manutenção dos empregos”, diz Mauro Francis, presidente da entidade.
A Ablos menciona também que “o impacto da mudança se estende por toda a cadeia produtiva e de serviços do varejo. A readequação das jornadas atinge não apenas as lojas, mas também os prestadores de serviços essenciais aos shoppings centers, como segurança, limpeza, logística e manutenção. O aumento dos custos das equipes contratadas pelos próprios empreendimentos tende a ser repassado aos lojistas por meio do rateio das despesas condominiais, ampliando a pressão sobre os custos das lojas”.
"O varejo em shopping centers é um importante gerador de empregos e oportunidades no Brasil, e a maior parte das operações é formada por pequenos e médios lojistas, que representam cerca de 65 por cento das lojas em operação nos centros de compras do país. Não somos contrários à evolução das relações de trabalho, mas é indispensável criar mecanismos de apoio, desoneração da folha e flexibilidade operacional para que a nova jornada seja sustentável, preservando a saúde financeira desses negócios e os empregos formais”, afirma Francis.
A isso soma-se a questão da concorrência com as plataformas de e-commerce internacionais, que atuam sob condições tributárias mais favoráveis, segundo a entidade.
A nota finaliza reiterando seu compromisso de atuar junto ao Congresso Nacional, ao Poder Executivo e às frentes parlamentares e aos órgãos governamentais para defender os interesses do setor.
- A Abicalçados e a Ablos expressaram preocupação com a aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, temendo impactos negativos na produtividade e nos custos.
- A Abicalçados alerta para uma possível diminuição de 9,1% na capacidade produtiva do setor calçadista, que é intensivo em mão de obra e composto majoritariamente por micro e pequenas empresas.
- A Ablos prevê aumento de custos e desafios de contratação para o varejo físico, especialmente em shopping centers, devido à necessidade de novas contratações e ao impacto na remuneração de vendedores, além de um repasse de custos para os lojistas.
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