EUA aplica nova tarifa de 25 por cento ao Brasil e entidades empresariais se manifestam

O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Grier, anunciou em coletiva, na noite de ontem, 15 de julho, que o governo de Donald Trump resolveu impor nova tarifa de 25 por cento sobre os produtos brasileiros, entrando em vigor a partir de 22 de julho. Apesar de esperada, a taxação foi repercutida pelas entidades empresariais, que a vêm como prejudiciais ao intercâmbio comercial entre os dois países, que sempre mantiveram relações amistosas.

A Abit - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção - manifestou sua preocupação com a decisão. ”Medidas dessa natureza aumentam a insegurança no comércio internacional, reduzem a competitividade das empresas e geram impactos sobre investimentos, produção, emprego e integração das cadeias produtivas”, diz a nota divulgada esta tarde, 16 de julho.

O presidente-executivo da Abicalçados – Associação Brasileira das Industrias de Calçados - Haroldo Ferreira, afirma em nota divulgada hoje que a decisão representa um retrocesso para uma relação comercial construída ao longo de décadas. “A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40 por cento, em fevereiro deste ano. Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países.” explicou.

A Assintecal - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos - lamentou a medida do governo norte-americano, destacando o “impacto duplo” na indústria do segmento. “Seremos atingidos indiretamente pela queda nas exportações de calçados brasileiros, que tem aquele mercado como o seu principal no cenário internacional, e pela queda na exportação direta dos nossos componentes sobretaxados”, lamentou a superintendente da entidade, Silvana Dilly em nota divulgada hoje (16), no fim da tarde.

Outro segmento impactado foi o óptico. De acordo com a Abióptica – Associação Brasileira das Indústrias Ópticas - foram atingidas lentes oftálmicas, lentes de contato, armações, óculos de grau, óculos de sol e suas partes, produtos que não constam na lista oficial de exceções divulgada pelas autoridades norte-americanas. “A medida impacta diretamente a competitividade dos produtos ópticos brasileiros no mercado internacional, aumenta os custos das operações comerciais e amplia a insegurança para empresas que exportam ou pretendem expandir sua atuação em mercados externos”, diz o informativo divulgado pela entidade.

Negociações diplomáticas

A Abit defende “que eventuais divergências comerciais sejam tratadas por meio da negociação, do diálogo institucional e dos mecanismos previstos no sistema internacional de comércio, buscando soluções que preservem o fluxo de negócios e os interesses de ambos os países.”

Já no dia 7 de julho, quando se avizinhava o anúncio feito ontem, a gerente de Relacionamento e Negócios da Abicalçados, Letícia Sperb Masselli, participou da audiência pública promovida pelo USTR, em Washington, na qual apresentou argumentos técnicos consistentes sobre os impactos de uma eventual nova tarifa, tanto para a indústria calçadista brasileira quanto para o varejo e o consumo nos Estados Unidos, defendendo a exclusão dos calçados brasileiros da medida.

Também se manifestaram contrariamente à aplicação da tarifa sobre os calçados brasileiros representantes da Footwear Distributors and Retailers of America (FDRA), da American Apparel & Footwear Association (AAFA), da United States Fashion Industry Association (USFIA), além de importadores e varejistas norte-americanos, representados pelo JPT Group LLC Bernardo Footwear e Dillard’s Inc.

A Abicalçados reafirmou, no mesmo informativo, que o diálogo técnico e diplomático continua sendo o caminho mais adequado para a construção de soluções que preservem as relações comerciais entre os dois países. “A entidade seguirá atuando junto ao Governo Federal, às autoridades norte-americanas e às entidades parceiras nos Estados Unidos para buscar alternativas que minimizem os efeitos da medida, preservem o fluxo comercial e fortaleçam a competitividade da indústria calçadista brasileira”.

“A Abióptica acompanhará atentamente a evolução das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos e atuará junto às autoridades competentes na defesa da competitividade da indústria óptica brasileira, da previsibilidade regulatória e de um ambiente de comércio internacional baseado no diálogo, na segurança jurídica e na reciprocidade”, finalizou no comunicado assinado pela diretora executiva da entidade, Ambra Nobre Sinkoc.

Em resumo
  • Os Estados Unidos impuseram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com início em 22 de julho, afetando setores como têxtil, calçadista e óptico.
  • Associações brasileiras como Abit, Abicalçados e Abióptica expressaram grande preocupação, alertando para a redução da competitividade, aumento da insegurança no comércio internacional e impactos negativos em investimentos, produção e empregos.
  • Apesar das negociações diplomáticas e da oposição de entidades empresariais de ambos os países, as associações brasileiras continuarão buscando diálogo e alternativas para minimizar os efeitos da medida e preservar as relações comerciais.

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