Exportações de calçados têm alta de nove percentuais em abril
De acordo com os dados que Secex -Secretaria do Comercio Exterior – divulgou, o quarto mês do ano teve um impacto positivo para o segmento calçadista brasileiro. 8,2 milhões de pares saíram do país registrando a entrada de 73,5 milhões de dólares. Esses números representam um aumento de nove percentuais em volume e queda de 7,3 por cento na receita, quando comparamos com o mesmo período de 2025. No acumulado do ano foram exportados 34,5 milhões de pares e 284,44 milhões de dólares, atingindo queda de 11,7 e 18,5 por cento respectivamente, ante o mesmo período do ano passado.
O presidente-executivo da Abicalçados – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados -, Haroldo Ferreira, destaca que abril trouxe sinais de recomposição das exportações de calçados em mercados estratégicos, especialmente Estados Unidos e países latino-americanos. “O crescimento das exportações para os Estados Unidos indica, além da recomposição, uma antecipação de embarques ao destino após o alívio tarifário, uma vez que deixou de incidir a tarifa adicional de 50 percentuais e os calçados brasileiros passaram a competir sob alíquota isonômica de 10 por cento”, diz. Já o acumulado do ano, segundo o executivo, segue refletindo os impactos do primeiro trimestre, marcado pelo choque tarifário norte-americano, pela perda de dinamismo em mercados tradicionais e por menores preços médios, associados à mudança de composição da pauta exportadora por produtos e destinos.
Outro fator que impulsionou o resultado das exportações de abril foram os embarques para os países da América Latina. Excluindo a Argentina, as exportações para os países latino-americanos cresceram 24,6 percentuais em valor e 53 por cento em pares, em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Diante da melhora do cenário para as exportações, Ferreira ressalta o potencial da BFSHOW, maior feira calçadista da América Latina que acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo/SP, entre os dias 18 e 20 de maio. “Neste contexto, a feira ganha ainda mais importância para garantir a recuperação dos embarques a partir do segundo semestre”, diz. Na mostra são esperados mais de 1,2 mil importadores dos principais mercados do mundo.
EUA, Argentina e Equador
Em abril, as exportações para os Estados Unidos contabilizaram 842,9 mil pares, gerando 14,72 milhões de dólares, incrementos de 16,5 e 40,5 percentuais, respectivamente, ante o quarto mês do ano passado. Já no acumulado do quadrimestre, as exportações para lá somaram 3,8 milhões de pares e 54,5 milhões de dólares, alta de 7,8 por cento em volume e queda de 18,9 percentuais em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2025. “Apesar do otimismo na recuperação para os Estados Unidos, permanecem incertezas quanto aos desdobramentos da investigação da Seção 301 (aquela que dá ao presidente dos EUA autoridade sobre as tarifas aplicadas) relacionada ao Brasil”, comenta Ferreira.
O segundo colocado no ranking de exportações, foi a Argentina, que contabilizaram 474,82 mil pares e 7,6 milhões de dólares, o que significou quedas de 55,4 percentuais em volume e de 55 por cento em valor na relação com o mês correspondente do ano passado. “A retração dos embarques para o destino segue como o principal fator negativo para o desempenho externo do setor, sob um contexto de menor atividade econômica e consumo pressionado”, avalia o dirigente. No acumulado do ano, as exportações para a Argentina somaram 2 milhões de pares, rendendo 31,3 milhões de dólares, representando quedas de 56,7 e 59,8 percentuais, respectivamente, ante o mesmo período de 2025.
No terceiro posto entre os destinos aparece o reflexo do melhor desempenho das exportações nos países latino-americanos. O Equador importou, no mês, 868,5 mil pares, pelos quais foram pagos 6,64 milhões de dólares, com altas de 11,3 e 57,1 por cento, respectivamente, no comparativo com abril do ano passado. No acumulado do quadrimestre, o Equador somou a importação de 1,72 milhão de pares e 14,55 milhões de dólares, o que indica crescimento de 22,6 e 24,5 percentuais em relação ao mesmo intervalo de 2025.
- As exportações brasileiras de calçados em abril de 2026 registraram um aumento de 9% em volume, totalizando 8,2 milhões de pares, embora a receita tenha caído 7,3% em comparação com o ano anterior.
- A recuperação das exportações foi impulsionada pela remoção de tarifas adicionais nos Estados Unidos e pelo crescimento significativo para países latino-americanos, excluindo a Argentina.
- A BFSHOW, maior feira calçadista da América Latina, é vista como crucial para sustentar a recuperação das exportações no segundo semestre, com a expectativa de mais de 1.200 importadores.
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