Fatos e números de marcas de moda do Brasil: Alpargatas

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Fatos e números de marcas de moda do Brasil: Alpargatas

Alpargatas é a maior empresa de footwear apparel da América Latina, com uma produção de 12 pares de sandálias por segundo. Marcas como Havaianas, Rainha, Conga, Kichute e Bamba Basquete não apenas refletem o porte da Alpargatas, mas também denunciam sua idade. A empresa que comemorou 100 anos na Bolsa de Valores de São Paulo em 2013, coleciona uma sucessão de momentos históricos em sua trajetória centenária, atravessando guerras, epidemias, crises econômicas e se tornando uma precursora na arte não apenas de manter um negócio vivo, mas de prosperar globalmente.

História da Alpargatas

A história da empresa começa em 1907, quando o imigrante escocês Robert Fraser associou-se ao grupo inglês Ashworth & Co. e fundou em São Paulo a Sociedade Anonyma Fábrica Brazileira de Alpargatas e Calçados. Um pouco antes disso, Fraser já havia fundado fábricas da Alpargatas na Argentina (1883) e Uruguai (1890). Devido a questões de patente, a fábrica argentina deteve 9% de ações da brasileira recém inaugurada.

A empresa, que em 1909 passaria a se chamar São Paulo Alpargatas Company S.A., começou com uma fábrica na Mooca, zona leste da capital paulista, produzindo as Alpargatas Roda e já em 1913, com o sucesso de vendas entre os trabalhadores na colheita de café, colocou suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo, mas Fraser não acompanhou esse avanço, já que em 1911 se retirou da empresa e passou suas ações para a Ashworth & Co.

Primeiras adversidades

Com o início da Primeira Guerra Mundial, falta de matéria-prima e gripe espanhola, que deixou metade dos empregados da fábrica doentes, vieram os primeiros anos de adversidade para empresa. A fase se estenderia até a década seguinte, quando a companhia parou de produzir seu calçado de maior sucesso por conta da crise econômica provocada pela superprodução de café e pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.

Como resultado, a empresa apostou em uma manobra radical e no início da década de 30 transferiu o controle acionário da São Paulo Alpargatas para a Alpargatas Argentina, foi quando voltou a produzir as Alpargatas Rodas, além de lançar os primeiros calçados de couro. Passou também a fornecer mochilas, barracas e fardas aos combatentes da Revolução de 1932. Anos mais tarde, depois de atravessar outro período de grandes desafios com a Segunda Guerra Mundial, lançou sua primeira calça jeans, a Rodeio.

Volta por cima

As décadas seguintes seriam de sucesso para empresa. Já nos anos 50 a companhia lançou o tênis Conga, o modelo Bamba Basquete e a lona Sempreviva. Devido à massiva popularização da televisão e programas de rádio, decidiu pegar carona no modelo de marketing norte-americano, apostou em propagandas e até patrocinou a transmissão pioneira da Copa do Mundo pela rádio Bandeirantes.

O sucesso dos jingles e propagandas só aumentavam e os lançamentos seguiam pela década de 60 adentro, com as calças de brim Far West e as botas de borracha Sete Léguas, para trabalhadores da agricultura, agropecuária e construção civil. A estreia da Havaianas em 1962 foi um sucesso em todo o país, embora os chinelos só tenham se tornado um fenômeno mundial nos anos 90, quando foram relançados em uma infinidade de cores e passaram a ser um acessório de moda. Mas antes disso, nos anos 70, a empresa ainda apresentou o tênis Kichute, se lançou no mercado de artigos esportivos com a marca Topper e comprou em 1978 a Rainha, que estava no mercado brasileiro desde 1934.

A era das franquias só teria início nos anos 90, quando a companhia licenciou a Timberland, especializada em esportes de aventura, Mizuno e Nike, que fez parte do leque de marcas da Alpargatas até 1994.

Como parte da estratégia de expansão global, a empresa inaugurou em 2007 um escritório em Nova York e deu início a uma série de aquisições: comprou 60% da operação argentina, 30% da Osklen e a pernambucana Dupé, assumindo a liderança do segmento de sandálias no país. No ano seguinte inaugurou escritórios comerciais na Espanha e em 2009 no Reino Unido, França e Itália.

2009 também foi o ano do reposicionamento da marca Topper, que passou a ser unisex e dedicada a vários esportes, como tênis e rugby. Mas sem excluir o promissor mercado do futebol, com patrocínio dos clubes Atlético Mineiro, no Brasil, e Estudiantes, na Argentina.

Três anos depois, a empresa mudou seu nome, de São Paulo Alpargatas passou a se chamar apenas Alpargatas. Também se consolidou como líder do mercado de calçados na América Latina com a compra de 91,5% do capital das operações na Argentina.

Em nova manobra estratégica, a Alpargatas anunciou em 2015 a venda das marcas de calçados esportivos Rainha e Topper no Brasil a um grupo de investidores liderados pelo empresário Carlos Wizard por 48,7 milhões de reais. O acordo também envolveu a venda da marca Rainha no mundo e 20% da Topper na Argentina e no mundo, com exceção de Estados Unidos e China, onde a marca foi licenciada por 15 anos aos compradores.

A sucessão de donos da Alpargatas

Na década de 30 o controle acionário da São Paulo Alpargatas foi transferido para a Alpargatas Argentina. No entanto, em 1982, após um gradativo processo de nacionalização do capital iniciado e 1948, a São Paulo Alpargatas deixou de ter participação argentina e passou para as mãos da Camargo Corrêa. Em 2002 foi comprada pela J&F, holding controladora da JBS, que por sua vez abriu mão da empresa em 2017 por 3,5 bilhões de reais. Seus novos donos são a Itausa - Investimentos Itaú S.A, Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant Administração de Bens Empresa S.A (BW).

A companhia segue sob o comando do executivo Roberto Funari desde o início de 2019, após a renúncia de Márcio Luiz Simões Utsch. O terceiro trimestre de 2018 foi encerrado com lucro líquido de 119,8 milhões de reais.

Resumo:

  • Empresa: Alpargatas
  • Indústria: Varejo
  • Criada em: 1907
  • Presidente:Roberto Funari
  • Lucro líquido: 119 milhões de reais (3T-2018)

Fotos: Site Alpargatas e Facebook oficial Alpargatas