Importações de calçados atingem recorde da série histórica
As importações de calçados já vêm tomando conta das discussões do segmento há tempos, mas dados coletados pela Abicalçados - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados – tendo como base registros da Secex – Secretaria do Comércio Exterior – revelaram que janeiro atingiu um recorde, alcançando o maior volume da série histórica, iniciada em 1997. Nesse mês as importações somaram 4,46 milhões de pares e 62,9 milhões de dólares, incrementos tanto em volume (+34,3 por cento) quanto em valores (+31,2 percentuais) em relação a janeiro de 2025.O movimento mantém o ritmo sustentado de crescimento das importações - com contínuas taxas expressivas - há cinco anos. O destaque, mais uma vez, foram os países asiáticos: Vietnã, China e Indonésia, que juntos responderam por 84 por cento das importações de janeiro - em dólares e pares.
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, explica que o resultado preocupa a indústria calçadista nacional, pois acontece em um contexto de desaquecimento da demanda doméstica - que caiu 2,3 percentuais em 2025. “O aumento da entrada de calçados no Brasil, em especial a preços muito baixos, incita grande preocupação na medida em que se dá em detrimento do produto nacional, que ano passado perdeu 2,2 por cento de sua produção”, avalia, ressaltando que a entidade vem trabalhando o tema junto ao governo federal.
Ásia segue na frente quanto à origem das importações
O Vietnã foi o país de onde vieram mais calçados (1,5 milhão de pares por 32,57 milhões de dólares), representando altas de 34,3 por cento e 31,2 percentuais, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025.
Já da China, segunda colocada no ranking, foram importados 1,26 milhão de pares por 3,44 milhões de dólares, aumento de 75,7 por cento em volume e queda de 31,4 percentuais em receita, o que é explicado pelo preço médio extremamente baixo do produto chinês embarcado ao Brasil (2,73 dólares, aproximadamente 14,3 reais).
A terceira origem das importações foi a Indonésia, que originou 996 mil pares de calçados por 17 milhões de dólares, incrementos de 34,2 por cento e 41,1 percentuais, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2025.
Exportações continuam em queda
Já quanto às exportações, nada de novo para o setor calçadista. Em janeiro, os embarques alcançaram 9,4 milhões de pares, o que significou a entrada de 71,5 milhões de reais, quedas tanto em volume (-17,7 por cento) quanto em receita (-18,8 percentuais) em relação a janeiro do ano passado.
O principal destino foi os Estados Unidos, para onde as exportações somaram 832,9 mil pares e 10,23 milhões de dólares, quedas de 26,8 por cento e 45,7 percentuais, respectivamente, ante janeiro de 2025. “O tarifaço segue tendo impactos importantes para o setor, neste que é o nosso principal destino internacional”, analisa Ferreira. Outro mercado que contribuiu para a queda das exportações do setor foi a Argentina, segundo destino no ano passado, que registrou queda nas suas importações de calçados brasileiros. Em janeiro, os argentinos importaram 286,96 mil pares por 4,42 milhões de dólares, quedas significativas de 54,9 por cento e 57,4 percentuais, respectivamente, em relação ao intervalo correspondente do ano passado. “Na Argentina, além da desaceleração do consumo, ocorre um acirramento da concorrência internacional com produtores asiáticos”, explica o executivo.
Estados brasileiros que mais exportaram
O principal exportador de calçados do Brasil continua sendo o Rio Grande do Sul. Em janeiro, partiram das fábricas gaúchas 3 milhões de pares, pelos quais foram pagos 36,17 milhões de dólares, crescimento de 16 por cento em volume e queda de 3,3 percentuais em receita no comparativo com janeiro de 2025. Na sequência, apareceram os estados do Ceará (3,7 milhões de pares e 17,6 milhões de dólares, quedas de 26,4 por cento e 35,7 percentuais, respectivamente, ante janeiro de 2025) e São Paulo (1,62 milhão de pares e 5,52 milhões de dólares, queda de 25 por cento em volume e incremento de 14,1 percentuais em receita em relação ao mesmo período do ano passado).
- As importações de calçados no Brasil atingiram um recorde histórico em janeiro, com 4,46 milhões de pares e 62,9 milhões de dólares, impulsionadas principalmente por países asiáticos como Vietnã, China e Indonésia.
- O aumento das importações, especialmente de produtos de baixo custo da China, preocupa a indústria calçadista nacional, que enfrenta desaquecimento da demanda doméstica e queda na produção.
- As exportações de calçados brasileiros continuam em declínio, com quedas significativas em volume e receita, afetadas por tarifas nos EUA e concorrência asiática na Argentina, sendo o Rio Grande do Sul o principal estado exportador.
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