Importações de componentes para calçados crescem 84,4 por cento nos últimos quatro anos
A Assintecal - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos – trabalhou com dados tendo por base os registros da Secex - Secretaria de Comércio Exterior – e o resultado, segundo a entidade, é alarmante. A razão é que nos últimos quatro anos as importações de componentes para calçados acumularam alta de 84,4 por cento, chegando a mais de 44 milhões de dólares ao final de 2025. O aumento mais expressivo foi na importação de cabedais, de 92 percentuais, no mesmo intervalo.
Nestes últimos quatro anos houve um crescimento médio de importações de componentes de 16,5 por cento, diz a Assintecal perante os números. “E a tendência é de incremento”, diz Silvana Dilly, superintendente da associação, “já que, em 2026, de janeiro a julho, as importações avançaram mais 14 percentuais em relação ao mesmo período do ano passado”, projeta a executiva num comunicado.
China no topo das importações
Segundo Silvana, o que mais preocupa no levantamento é o aumento da participação de componentes chineses na pauta da importação, de 40 por cento para 83 percentuais no mesmo período. Já no recorte dos cabedais, a participação da China chegou a 86 por cento. “As importações de componentes do país asiático aumentaram 280 por cento nos últimos quatro anos, muito acima do crescimento geral”, conta.
Reflexos na cadeia
Para a superintendente, o desafio do aumento das importações é intensificado com a crise no mercado doméstico e internacional para fabricantes brasileiros. No primeiro semestre, a produção brasileira de calçados caiu 5,6 percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. Já as exportações do setor caíram 18 por cento (em valores), entre janeiro e julho, no comparativo com o mesmo período de 2025. “Existe menos espaço para o calçado brasileiro aqui e no exterior, o que diminui a demanda por materiais nas fábricas. É uma pressão que afeta toda a cadeia produtiva, de forma direta ou indireta”, destaca Silvana, ressaltando que se faz “urgente” uma articulação setorial para mitigar os efeitos da concorrência leal das importações, em especial provenientes da Ásia. “Precisamos pensar formas de enfrentar, de forma articulada com todos os elos da cadeia, o problema representado pela agressividade crescente das importações sobre o mercado brasileiro”, conclui.
Um passo já foi dado pela entidade, com o auxílio da ApexBrasil, por meio do projeto Brazilian Materials, que levou cinco empresas de componentes de calçados para a maior feira de couro e componentes do mundo, a ACLE, em Xangai. A iniciativa, que pode ser conferida nesta matéria do FashionUnited, rendeu negócios de aproximadamente 6,5 milhões de dólares. Números tímidos frente à concorrência, mas que mostram que as associações industriais e o governo brasileiro estão trabalhando em conjunto para atenuar a diferença e reequilibrar a balança comercial brasileira.
- As importações de componentes para calçados no Brasil aumentaram 84,4% nos últimos quatro anos, atingindo mais de 44 milhões de dólares, com a China sendo a principal origem e um aumento de 280% na participação chinesa.
- O crescimento das importações, especialmente da China, intensifica a crise para fabricantes brasileiros, com queda na produção e exportação de calçados, impactando toda a cadeia produtiva.
- A Assintecal e a ApexBrasil estão buscando mitigar os efeitos da concorrência desleal das importações, promovendo empresas brasileiras em feiras internacionais no exterior.
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