Importados ampliam participação nas coleções do varejo
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De acordo com uma aferição realizada pelo IEMI – Instituto de Estudos e Marketing Industrial – Inteligência de Mercado, os produtos importados estão ocupando mais espaço nas redes de varejo de vestuário.
Na coleção de outono-inverno de 2026, 80 por cento dos suéteres femininos e 89 percentuais dos masculinos registrados nas lojas pesquisadas pelo Instituto eram importados. Entre jaquetas e casacos, as peças estrangeiras representavam 78 por cento da linha feminina e 72 percentuais da masculina. Os dados mostram que a presença dos importados varia significativamente entre categorias e tipos de produto.
Esse avanço também aparece no conjunto das roupas acompanhadas pela empresa de pesquisa de mercado. Entre 2022 e 2026, a participação dos importados passou de 20 para 26 por cento do número de peças registradas na auditoria em pontos de venda. Em valor nominal, o crescimento foi maior, de 29 para 37 percentuais. Em outras palavras, a presença estrangeira aumentou seis pontos percentuais em volume e oito pontos em valor.
A diferença entre a participação dos importados em volume e em valor também chama a atenção. Segundo Marcelo Prado, diretor do IEMI, os resultados mostram que a presença dos produtos estrangeiros deve ser observada não apenas pelo número de peças, mas também por sua representatividade em valor e pela composição dos diferentes segmentos.
“O que chama a atenção é a diferença de participação entre as categorias. Em algumas linhas, os importados alcançam percentuais elevados, enquanto em outras a presença é significativamente menor. A indústria brasileira reúne uma estrutura produtiva ampla e diversificada, e o fornecimento internacional também pode funcionar de forma complementar, de acordo com as características de cada produto e com a estratégia de composição das coleções”, avalia Marcelo.
Participação de itens estrangeiros varia entre os tipos de roupas
O levantamento mostra como a participação desses produtos se distribui entre as categorias pesquisadas, embora não permita identificar, isoladamente, o peso de fatores como preço, escala, prazo de entrega e estratégia de coleção nas decisões de compra de cada rede.
Essa relação pode ser observada em diferentes setores. Nos suéteres masculinos, os importados correspondem a 89 por cento das unidades e a 90 percentuais do valor registrado na categoria. Nas jaquetas e casacos femininos, representam 78 por cento das peças e 81 percentuais do valor. Estes números ajudam a dimensionar a representatividade dos importados nesses segmentos.
O movimento se espalha por outros setores. Na linha bebê, os importados passaram de 36 para 41 por cento das peças entre 2025 e 2026, enquanto sua participação em valor nominal saltou de 43 para 56 percentuais. Na linha plus size feminina, a participação dos importados mais que dobrou em volume, de 13 para 29 por cento, e subiu de 18 para 36 percentuais em valor. Já entre as roupas de malha, os importados chegaram a 42 por cento do valor registrado em 2026, ante 35 percentuais no ano anterior.
A expansão, porém, não ocorre da mesma forma em todas as categorias. Nas roupas íntimas, meias e peças para dormir, a participação dos importados no número de unidades caiu de 27 para 13 por cento entre 2025 e 2026. O contraste reforça que a composição do abastecimento varia conforme o segmento, combinando produção nacional e fornecimento internacional de maneiras distintas.
Para o IEMI, acompanhar essa evolução permite compreender com maior precisão as mudanças na composição das coleções e nas estratégias de abastecimento do varejo de moda. A leitura conjunta dos indicadores de volume e valor evidencia um mercado heterogêneo, no qual a participação da produção nacional e do fornecimento internacional assume pesos diferentes conforme as características de cada setor.
- A participação de produtos importados no varejo de vestuário aumentou significativamente entre 2022 e 2026, representando 26% do volume e 37% do valor total das peças.
- A presença de itens importados varia drasticamente entre as categorias de produtos, com suéteres masculinos e jaquetas/casacos femininos apresentando altas taxas de importação, enquanto roupas íntimas e meias mostram uma queda.
- A análise conjunta de volume e valor revela um mercado heterogêneo, onde a produção nacional e o fornecimento internacional se complementam de maneiras distintas, dependendo das características de cada segmento.