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Indústria calçadista repercute “tarifaço” de Donald Trump

By Marta De Divitiis

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Negócios
Credits: Willian William/Unsplash

A indústria calçadista brasileira, que tem nos Estados Unidos seu principal destino internacional, enxerga o “tarifaço” de Donald Trump, anunciado ontem (2), por dois pontos distintos. Por um lado, segundo a Abicalçados - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, a tarifa adicional de 10 por cento para produtos brasileiros pode abrir uma janela de oportunidades diante do imposto maior anunciado para concorrentes asiáticos. Já por outro lado, a tarifa elevada para os grandes produtores mundiais também pode provocar uma inundação de calçados daquele continente em mercados importantes para o Brasil e até mesmo no mercado doméstico nacional.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, cita que o pacote de tarifas anunciado, por exemplo, taxa a China em mais 34 por cento, o Vietnã em mais 46 percentuais e a Indonésia em mais 32 por cento. “São tarifas muito mais elevadas do que as aplicadas para o Brasil, o que pode tornar o nosso calçado mais competitivo nos Estados Unidos. Por outro lado, além de a medida diminuir o consumo naquele país, também deve fazer com que os asiáticos busquem alternativas para desovar sua produção. E, entre essas alternativas, certamente teremos o próprio mercado brasileiro e países para onde exportamos nossos calçados”, avalia num comunicado divulgado hoje, dia 3 de abril.

Novos impostos

Conforme dados levantados pela Inteligência de Mercado da Abicalçados, atualmente o imposto de importação para calçados brasileiros nos Estados Unidos é, em média, 17,3 por cento. Ou seja, com o adicional de 10 percentuais, a tarifa passará a 27,3 por cento. Já China, Vietnã e Indonésia, que têm um market share de 58, 24 e 8 por cento no país norte-americano, respectivamente, também pagam uma média de 17,3 percentuais. Com os adicionais, os países passarão a pagar 51,3; 63,3 e 49,3 por cento, respectivamente. “Enfim, o tarifaço deve deixar o preço brasileiro mais competitivo nesse primeiro momento”, acrescenta Ferreira no comunicado. Atualmente, o Brasil detém apenas 0,5 percentuais do mercado de importação de calçados nos Estados Unidos, número que pode avançar com as novas tarifas. “Na principal feira do setor no Brasil, a Bfshow, teremos uma noção mais exata do impacto desses novos impostos no mercado. Esperamos muitos compradores norte-americanos no evento, em maio”, projeta o executivo.

Alerta

Se por um lado, o calçado brasileiro ficará mais competitivo em relação aos seus concorrentes asiáticos, preocupa a Abicalçados uma possível invasão de calçados produzidos naqueles países no mercado nacional. “Por isso, torna-se ainda mais importante a adoção de mecanismos "antidumping" contra Vietnã e Indonésia, para evitar concorrência desleal no varejo brasileiro”, explica Ferreira. Segundo ele, o problema já foi levado para o governo federal e agora será reforçado com as autoridades.

Indústria calçadista Credits: cortesia Abicalçados

Exportações e importações

No primeiro bimestre de 2025, as exportações de calçados brasileiros para os Estados Unidos somaram 1,93 milhão de pares e 37,17 milhões de dólares, incremento de 0,6 por cento em volume e queda de 4,5 percentuais em dólares em relação ao mesmo ínterim de 2024. Atualmente, 21 por cento de toda a receita gerada pelas exportações nacionais são provenientes dos Estados Unidos.

Impulsionada pelos países asiáticos China, Vietnã e Indonésia - de onde vêm mais de 80 por cento dos calçados que entram no Brasil -, as importações do setor seguem em elevação. No primeiro bimestre, entre as principais origens das importações, aparece a China, de onde vieram 2,68 milhões de pares por 9,25 milhões de dólares, quedas de 2,8 e de 3,5 percentuais, respectivamente, ante o primeiro bimestre de 2024. Na sequência, aparecem o Vietnã (2,5 milhões de pares e 47,9 milhões de dólares, incrementos de 24,2 e de 9,2 percentuais, respectivamente) e Indonésia (1,48 milhão de pares e 23,5 milhões de dólares, altas de 47,25 e de 37 por cento, respectivamente).

Em resumo
  • A tarifa adicional de 10% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros pode criar oportunidades devido a impostos mais altos sobre concorrentes asiáticos.
  • A tarifa elevada para grandes produtores mundiais pode levar a uma inundação de calçados asiáticos em mercados importantes para o Brasil e no mercado doméstico.
  • A Abicalçados alerta para a necessidade de mecanismos antidumping contra Vietnã e Indonésia para evitar concorrência desleal no varejo brasileiro.
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