Marcas internacionais de moda deixam o Brasil
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Marcas internacionais de moda deixam o Brasil


Foi-se o tempo em que marcas internacionais de moda consideravam o Brasil um mercado promissor. A Versace, que operava uma loja no shopping Iguatemi, em São Paulo, fechou suas portas em definitivo em dezembro. Um mês depois foi a vez da Ralph Lauren, trazida ao Brasil pelo grupo JHSF, fechar sua loja no shopping Cidade Jardim. Em nota, a JHSF anunciou que irá manter apenas a linha mais acessível da marca, a Polo Ralph Lauren.

Além delas, Vans e Timberland, marcas do grupo americano VF Corporation, também anunciaram sua debandada. A estadia foi curta: as operações próprias em solo tupiniquim tiveram início em 2017, após 19 anos de licenciamento com a Alpargatas. Em um comunicado, a VF declarou que pretende avaliar outros modelos de negócio para distribuir as marcas no país no futuro, as quais “vão desde o licenciamento e distribuição até alianças estratégicas com parceiros locais e regionais”.

Mas Versace, Ralph Lauren, Vans e Timberland não são as únicas marcas a encerrar operações no Brasil. Nos últimos anos, também deixaram o país Longchamp, Vilebrequin, Fred Perry, Kate Spade, Lanvin, Accessorize e Topshop. O mercado de beleza também teve baixas importantes como Lush e Yves Rocher.

Por que grifes estrangeiras estão dando adeus ao Brasil?

São vários os motivos levando as marcas estrangeiras a fazer as malas. Ao anunciar sua partida, a Lush disse em comunicado que “o Brasil é um mercado muito difícil”, mencionando “a alta carga tributária, a prolongada recessão econômica e a instabilidade política” como motivos que tornaram “impossível continuar investindo e lucrar no país”.

Só o mercado de luxo encolheu 23 por cento entre 2016 e 2017. Apesar de ter voltado a crescer no ano passado (a consultoria Euromonitor registrou alta de 7,8 por cento), o Brasil continua a representar um mercado incerto.

Outro motivo que ajuda a explicar por que o Brasil não é mais tão atrativo para as empresas de moda estrangeiras, principalmente as de luxo, é que os consumidores de alto poder aquisitivo têm o costume de comprar produtos dessas marcas no exterior, onde mesmo com a diferença de câmbio os preços podem ser mais atrativos. Os brasileiros gastaram quase 66 bilhões de reais em viagens internacionais em 2018, de acordo com o Banco Central -- estima-se que cerca de 20 por cento desse montante tenha sido destinado a compras de vestuário.

Foto: Facebook Versace

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