Nike vê consumidores sob pressão em todo o mundo
A empresa norte-americana de artigos esportivos Nike Inc. vê um cenário geral pessimista no mercado de artigos esportivos, apesar do impulso nos negócios gerado pela Copa do Mundo de Futebol. “Nossos clientes estão sob pressão em todo o mundo” – e isso se reflete no negócio de artigos esportivos, disse o CFO (diretor financeiro, na sigla em inglês) Matthew Friend em uma teleconferência com analistas. Há três meses, a Nike já havia identificado riscos relacionados à guerra no Irã, que poderiam levar a “flutuações não planejadas” no comportamento do consumidor, por exemplo, devido ao aumento dos preços do petróleo. Agora, a empresa afirmou que não espera uma melhora no cenário para os próximos seis meses.
Números melhores que o esperado
Com os resultados do quarto trimestre de 2025/26, a Nike superou em grande parte as expectativas médias dos analistas – mesmo com uma nova queda no importante mercado chinês. A ação caiu aproximadamente três por cento nas negociações pós-mercado nos EUA.
O CEO (diretor executivo, na sigla em inglês) da Nike, Elliott Hill, destacou também o efeito positivo da Copa do Mundo de Futebol, que está sendo realizada, entre outros lugares, no mercado doméstico da Nike, os EUA. Já no início do torneio, vendemos duas vezes e meia mais artigos de seleções nacionais do que no mesmo período da Copa do Mundo anterior, em 2022, disse ele. A Nike é, entre outras, fornecedora da seleção dos EUA – e no próximo ano também substituirá a Adidas na seleção alemã (DFB, na sigla em alemão).
Queda nas receitas é esperada
Para os próximos meses, a Nike se preparou para quedas na receita. No último trimestre, as receitas caíram um por cento em comparação com o ano anterior, para 10,97 bilhões de dólares (9,6 bilhões de euros) – os analistas esperavam uma média de 10,86 bilhões de dólares. No final das contas, o lucro trimestral saltou de 211 milhões de dólares no mesmo trimestre do ano anterior para 1,07 bilhão de dólares. Um dos principais motivos para isso, no entanto, foi o direito ao reembolso de tarifas de importação dos EUA, após decisões do presidente Donald Trump terem sido anuladas pela Suprema Corte do país.
Com um faturamento de 4,83 bilhões de dólares nos EUA, a Nike ficou um pouco abaixo das expectativas do mercado, enquanto as receitas de cerca de 1,3 bilhão de dólares na China foram maiores do que a média prevista pelos especialistas.
Uma crise interna
A Nike busca uma saída para uma crise na qual a própria empresa se colocou. Nos últimos anos, o grupo apostou fortemente na venda direta, em detrimento do varejo. Especialmente no mercado norte-americano, marcas concorrentes conseguiram tirar espaço da Nike nas prateleiras das lojas – e as vendas foram prejudicadas. A empresa agora se esforça para ter um relacionamento melhor com seus parceiros de varejo.
O CEO Hill determinou que a concorrente da Adidas focasse mais nos atletas, depois que a participação do lifestyle no estoque de produtos aumentou nos últimos anos. (dpa/FashionUnited)
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