Segmento calçadista sofre queda de empregos durante 2025
De acordo com a Abicalçados - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, com base nos números do MTE – Ministério do Trabalho e Emprego, a indústria calçadista perdeu mais de 10,9 mil empregos somente em dezembro passado. Com isso, o setor encerrou 2025 com um saldo negativo de 3 mil postos de trabalho, terminando o ano com um total de 273,9 mil pessoas empregadas diretamente na atividade, 1,1 por cento menos do que em 2024.
Haroldo Ferreira, presidente executivo da entidade aponta que o índice negativo é reflexo da queda na produção de calçados, que foi de 2,2 percentuais em relação a 2024. Segundo ele, os resultados decorrem da combinação entre choques recentes do ambiente internacional, com a vigência das tarifas adicionais dos Estados Unidos; o crescimento das importações de calçados em um contexto de estagnação da demanda interna e a desaceleração do mercado doméstico brasileiro no segundo semestre do ano.
Até julho de 2025, o mercado de trabalho se mostrou aquecido, com a criação de 12,7 mil postos de trabalho diretos na indústria calçadista. Entretanto, após a vigência da tarifa adicional aplicada aos calçados brasileiros destinados aos Estados Unidos, em agosto de 2025, o setor registrou o fechamento de 15,7 mil postos de trabalho (de agosto a dezembro), revertendo o movimento de geração de vagas observado no primeiro semestre. “Além dos impactos advindos da instabilidade do cenário internacional, a indústria calçadista foi afetada, especialmente no segundo semestre de 2025, pela desaceleração da economia brasileira e, por consequência, pelo enfraquecimento do consumo interno. Esse movimento ocorre em um contexto no qual o patamar elevado da taxa de juros sustenta níveis igualmente elevados de endividamento das famílias, comprimindo a renda disponível para consumo”, esclarece Ferreira. Dados da CNC - Confederação Nacional do Comércio - apontam que, em dezembro de 2025, 78,9 por cento das famílias brasileiras declararam-se endividadas, o maior patamar registrado para o mês em toda a série histórica.
Bahia foi o único estado que registrou saldo positivo durante 2025
Maior empregador do setor calçadista no Brasil, o Rio Grande do Sul encerrou 2025 com saldo negativo de 4,44 mil empregos, 2,6 mil perdidos em dezembro. Com isso, as fábricas gaúchas encerraram o ano passado com estoque total de 74,57 mil postos diretos, 5,6 percentuais menos do que em 2024.
O segundo principal estado empregador no setor foi o Ceará, que terminou o ano com saldo negativo de 1,1 mil empregos, tendo perdido 1,57 mil em dezembro. Com isso, as fábricas cearenses encerraram o ano de 2025 com 66,6 mil pessoas empregadas diretamente na atividade, 1,6 por cento menos do que em 2024.
Terceiro empregador do ranking brasileiro, a Bahia foi o único estado entre os maiores empregadores a registrar saldo positivo em 2025, com a criação de 2,8 mil empregos. Por outro lado, as fábricas baianas perderam 855 empregos em dezembro. O estoque de empregos de 2025 ficou em 42,4 mil, 7,1 percentuais mais do que em 2024.
São Paulo apareceu na quarta posição entre os empregos do setor calçadista brasileiro. No ano, as fábricas paulistas perderam 2,62 mil empregos. Somente em dezembro, foram perdidos 147 postos, o que fez com que as fábricas paulistas terminassem 2025 com estoque de 29,82 mil empregos diretos gerados, um prejuízo de 0,5 por cento em relação a 2024.
- A indústria calçadista brasileira perdeu mais de 10,9 mil empregos em dezembro de 2025, resultando em um saldo negativo de 3 mil postos de trabalho no ano, totalizando 273,9 mil pessoas empregadas, uma queda de 1,1% em relação a 2024.
- A queda na produção e nos empregos é atribuída a choques internacionais, como tarifas adicionais dos EUA, aumento das importações e desaceleração do mercado doméstico brasileiro no segundo semestre de 2025, agravada pelo alto endividamento das famílias.
- Entre os maiores empregadores do setor, a Bahia foi o único estado a registrar saldo positivo em 2025, criando 2,8 mil empregos, enquanto Rio Grande do Sul, Ceará e São Paulo apresentaram saldos negativos.
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