Região da 44 (GO) movimenta 5,7 bilhões de reais entre setembro e dezembro de 2025
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Com o registro de 4,8 bilhões de reais em compras feitas no atacado entre setembro e novembro de 2025 e 900 milhões de reais de compras no varejo realizadas entre 28 de novembro e 30 de dezembro, a Região da 44, no polo de moda de Goiás, em Goiânia, no último fim de ano registrou uma movimentação financeira de 5,7 bilhões de reais. O fluxo de visitantes foi de 2,2 milhões de pessoas entre outubro e dezembro do ano passado, com um aumento de 3 percentuais em relação ao mesmo período em 2024. Os números foram analisados e divulgados pela AER44 - Associação Empresarial da Região da Rua 44.
Apesar do volume financeiro de compras no atacado ter registrado estabilidade e as compras de varejo terem registrado queda de 10 por cento na comparação com o final de ano em 2024, Sérgio Naves, atual presidente da AER44, avalia como positiva a movimentação deste período, frente às dificuldades enfrentadas pelo mercado da moda. Ele cita a alta taxa de juros e redução no poder de consumo dos turistas de compras que passaram pelo polo confeccionista de Goiânia.
Bets reduzem o poder de compra de vestuário
Uma pesquisa levantada pela própria AER44 com aproximadamente 400 pessoas que passaram pela Região da 44 nesse último fim de ano revelou que a crescente popularidade dos jogos eletrônicos de azar e os aplicativos de apostas (bets) têm reduzido o poder de compra de consumidores, especialmente em relação ao investimento em itens de vestuário.
Os dados destacaram que 80 por cento dos entrevistados estavam, de alguma forma, envolvidos com esses tipos de jogos eletrônicos. “Esses jogos de azar, como aquele conhecido como Tigrinho e as chamadas bets têm sido um concorrente para o segmento da moda e vestuário. Percebemos que foi grande o número de pessoas, em especial das classes C, D e E, que chegaram ao fim de ano endividadas por causa desse tipo de diversão eletrônica”, afirma Naves.
Falta de mão de obra qualificada
Apesar disso, a Região da 44, considerada a maior empregadora de Goiás, respondendo por cerca de 160 mil postos de trabalho diretos e indiretos, segue como um polo comercial pujante segundo o presidente da AER44. “O nosso volume de vendas no fim de ano segue robusto e durante este período, foram oferecidas mais de 1.500 vagas de empregos temporários, das quais aproximadamente 650 serão efetivadas, o que demonstra o impacto positivo da moda no mercado de trabalho. Contudo, o setor ainda enfrenta a necessidade urgente de qualificação, principalmente para funções como vendedores e costureiras, que são algumas das principais demandas aqui na Região da 44”, pontua o dirigente.
O presidente da AER44 lembra que a queda nas vendas de vestuário, seja no varejo ou atacado, têm sido registradas em outros importantes polos confeccionistas, como a Região do Brás, em São Paulo; e os municípios de Santa Cruz de Capibaribe e Toritama, ambos no estado de Pernambuco. “Temos informações, por exemplo, que a cidade pernambucana de Toritama, que assim como Goiânia é forte na venda de jeans, teve uma queda média de 20 por cento em suas vendas, no ano de 2025. Isso demonstra que termos conseguido manter a estabilidade nas vendas de atacado, um resultado positivo”, ressalta o presidente da AER44.
Mudança de comportamento
Sérgio Naves esclarece também que os consumidores de moda passaram nos últimos anos por uma forte mudança de comportamento com o advento das plataformas digitais de marketplace. “As nossas operações de atacado, hoje em sua grande maioria, já são realizadas de forma digital, fazendo com que a necessidade da vinda dos compradores à 44 reduzisse muito. Devido a isso, o lojista que não se adaptou ainda a essa nova realidade está quase fora do mercado. Uma boa parte das vendas no varejo também estão sendo feitas de forma online, mas esse comprador do varejo ou do atacarejo, que são em sua grande maioria turistas que vêm à Goiânia, ainda fazem a maior parte das suas compras de forma presencial, o que nos remete a necessidade de melhorar a experiência de compra dos turistas da 44”, explica o presidente da entidade, num comunicado.
De acordo com o executivo, essa melhora na experiência de compra de quem visita a Região da 44 tem ocorrido graças às parcerias e apoio da prefeitura de Goiânia e do governo do Estado. “Com a gestão do atual prefeito conseguimos, depois de décadas, resolver o problema da invasão de ambulantes irregulares. A prefeitura também tem implantado outras ações importantes que têm levado mais conforto e segurança para os nossos turistas de compras. A adoção da faixa azul de estacionamento, novas regras de circulação de trânsito e reforço da fiscalização urbana são alguns dos exemplos dessas melhorias. Já o governador, por meio da Polícia Militar, tem feito da Região 44 um dos polos de moda mais seguros do Brasil. Em breve, estaremos inaugurando os pórticos que estão sendo implantados pela Seinfra - Secretaria Estadual de Infraestrutura e Obras - e que irão melhorar muito a sinalização turística e a paisagem do nosso polo de compras”, completa.
- A Região da 44 em Goiânia registrou um movimento financeiro de 5,7 bilhões de reais no último fim de ano, apesar da estabilidade nas compras no atacado e queda no varejo, impulsionada por um fluxo de 2,2 milhões de visitantes.
- A pesquisa da AER44 revelou que a popularidade dos jogos de azar e aplicativos de apostas (bets) tem reduzido o poder de compra dos consumidores, especialmente nas classes C, D e E, impactando o investimento em vestuário.
- O setor enfrenta desafios como a falta de mão de obra qualificada e a mudança de comportamento do consumidor para plataformas digitais, mas a Região da 44 continua sendo um polo comercial pujante, com esforços para melhorar a experiência de compra dos turistas.