Tendências & Contextos: evento da Assintecal revela o cenário para a cadeia calçadista em 2027

Hoje, 28 de outubro, em Novo Hamburgo (RS), a Assintecal - Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos - realizou o evento Tendências & Contextos, conduzido pelos economistas Patricia Palermo e Marcos Lélis, além de Marnei Carminatti, do Núcleo de Pesquisa e Design da entidade.

Segundo Patrícia, as avaliações macroeconômicas e a economia brasileira levam a uma projeção de desaceleração da economia mundial, que provavelmente sofrerá crescimento de 3,1 por cento em 2026 e 3,4 percentuais em 2027. “Estamos vivendo um momento de conflitos simultâneos, que vem pressionando preços e taxas de juros em todo o mundo, além de fragmentações comerciais importantes, com protecionismo crescente, em especial nos Estados Unidos”, destacou. Essa seria a razão da desaceleração citada.

Já no Brasil o agronegócio vem sustentando o PIB - Produto Interno Bruto - enquanto a indústria tem recuado devido ao comprometimento da renda familiar e dificuldades de exportações. Assim a economista prevê um crescimento do PIB brasileiro este ano para aproximadamente 2,3 por cento. Já em 2027, a expectativa é um decréscimo maior, chegando a menos de 2 percentuais.

Calçados: diversificação de destinos na exportação

O quadro econômico nacional, inevitavelmente, acaba refletindo no calçado brasileiro e em toda a cadeia produtiva que o sustenta. Com uma queda acumulada de 5,4 por cento na sua produção no ano corrente, Marcos Lélis destacou que a indústria calçadista deve registrar um último quadrimestre de 2026 melhor, registrando revés de 2,1 percentuais no total do ano. “Para 2027, o cenário é de estabilidade, com uma possível melhora ancorada no mercado internacional”, explicou. “O choque das perdas nos mercados dos Estados Unidos e da Argentina em 2026 fizeram com que a indústria diversificasse seus destinos. Por isso, e com o esperado retorno gradual desses dois mercados, devemos registrar crescimento de 2,6 por cento nos embarques totais ao longo do próximo ano”, avaliou. 

Design e tecnologia como ferramentas de competitividade

Com olhar voltado para a inovação, Carminatti ressaltou que a indústria calçadista deve “fugir da concorrência no preço”, nas quais os países asiáticos são imbatíveis, e voltar seus esforços para o desenvolvimento de produtos com tecnologia embarcada. O criativo reforçou, ainda, a importância do Inspiramais para adiantar movimentos de tendências em moda e design como uma ferramenta importante de competitividade para o setor. Vale mencionar que a próxima edição do salão lançará mais de mil materiais nos próximos dias 26 e 27 de janeiro, em Porto Alegre/RS.

Em resumo
  • O evento Tendências & Contextos, promovido pela Assintecal, alertou para o impacto da desaceleração econômica mundial e dos conflitos comerciais sobre a indústria brasileira de calçados e componentes.
  • Após registrar queda na produção em 2026, o setor calçadista projeta estabilidade e alta de 2,6 por cento nas exportações em 2027, impulsionado pela diversificação de destinos internacionais.
  • Especialistas apontam que a competitividade do setor exige escapar da disputa de preços com a Ásia, priorizando tecnologia embarcada, design e tendências antecipadas por feiras como o Inspiramais.

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