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Ema e a Moda no Século XX - exposição vincula história individual à coletiva

By Marta De Divitiis

29 de out. de 2021

Cultura

Entre 30 de outubro e 19 de dezembro a Casa Museu Ema Klabin, no Jardim Europa em São Paulo, recebe a exposição “Ema e a Moda no século XX - as roupas e a caligrafia dos gestos” com curadoria do pesquisador e escritor Brunno Almeida Maia. Em formato presencial e virtual, a mostra conta uma breve história da moda dos anos 1920 aos anos 1980 por meio de peças de vestuário, acessórios e fotografias da colecionadora e mecenas Ema Klabin.

O público poderá conferir 18 peças de vestuário da colecionadora - vestidos, casacos, tailleurs, conjuntos de blazer e saia e trajes tradicionais chineses usados por Ema em festas à fantasia nos cruzeiros de navio. Marcas famosas de grandes estilistas franceses como Jean Patou, Christian Dior e Maggy Rouff estarão na mostra, além da marca espanhola Loewe.

A exposição apresenta ainda bolsas, malas, binóculos, leques, sombrinhas e frascos de perfume, além de um panorama de fotografias históricas do arquivo da instituição. A exposição também apresentará, no quarto de hóspedes, um conjunto Dior e acessórios pertencentes a Eva Klabin, irmã de Ema, que também fundou sua casa museu no Rio de Janeiro, traçando um paralelo entre as trajetórias das duas irmãs.

Queremos mostrar ao público que uma história individual conta, por meio de um guarda-roupa, a história do século XX - os acontecimentos na história da moda, político-culturais e artísticos - a história individual não está desvinculada da história coletiva; é possível pensar a imagem da história a partir da cultura material, da memória afetiva, da individualidade que compõe um guarda-roupa

Brunno Almeida Maia, pesquisador e curador da exposição

“Essa é a primeira vez que um acervo de vestuário e acessórios da empresária, mecenas e colecionadora Ema Gordon Klabin será exposto ao público e junto a isso, sendo uma casa museu com obras de arte que remontam há 35 mil anos da História da Arte na cultura ocidental e asiática, fortalece a imagem da cultura material por meio da vestimenta,”diz Almeida Maia.

Exposição traz quatro eixos temáticos

A memória afetiva das roupas, a personalidade de Ema, seu modo de vida, e seu gosto pelas viagens, pelas artes e pelas festas, além de sua atuação como empresária, estão presentes na exposição, organizada em quatro eixos temáticos: “História, conceito e individualidade”, “Contexto sociocultural”, “Cultura material: história do objeto” e “Moda: linguagem estética”. Os diferentes cômodos da residência de Ema Klabin foram cenários cuidadosamente pensados para cada eixo.

"Esta exposição apresenta, pela primeira vez, o núcleo de moda da Coleção Ema Klabin, e se insere no tema anual Outras Narrativas, com uma forma inédita de abordar a história de Ema Klabin e da moda, considerando suas roupas simultaneamente como criações artísticas e como documentos do período em que viveu", informa Paulo de Freitas Costa, curador da Casa Museu Ema Klabin.

Arte, tecnologia e educação

O público também poderá assistir a um vídeo de realidade virtual que permite fazer uma imersão digital pelos ambientes da casa museu e conferir detalhes da exposição. Realizado pelo multi artista Tadeu Jungle, o vídeo apresenta, de forma inédita, a coleção e algumas das roupas que estarão expostas na Casa Museu, criando novas possibilidades. Os óculos utilizados nessa ação serão higienizados, seguindo os protocolos de biossegurança. O vídeo também estará disponível na plataforma YouTube.

A Casa Museu também promove, até novembro, uma série de palestras, oficinas, cursos e mesa-redonda com grandes nomes da área. Serão abordados assuntos como a história das roupas, a importância desses acervos em museus, o conceito de economia circular e sustentabilidade, o desfile número 13 do estilista Alexander McQueen, a arte e a moda, a indumentária baiana, o fenômeno social da moda, e a presença negra em acervos de moda.

A Casa Museu receberá os visitantes gratuitamente, de quarta-feira a domingo, às 11h, 14h e 16h, em grupos de cinco pessoas. O agendamento deve ser feito por meio do site da casa. Será permitida a visita ao jardim e a visualização presencial da realidade virtual de quarta-feira a domingo, das 11h às 16h, com permanência até às 17h. Lotação de 70 pessoas.

Ema Gordon Klabin nasceu em 1907, no Rio de Janeiro, sendo filha de imigrantes lituanos (Hessel Klabin e Fanny Gordon Klabin), que chegaram ao Brasil na última década do século XIX. Seu pai, naturalizado brasileiro, foi um empresário que teve distinção na indústria do papel e da celulose no país. Com a morte de seu pai, Ema, educada na Europa, assumiu a atividade empresarial e atividades filantrópicas e assistenciais (teve um papel de destaque na construção do Hospital Israelita Albert Einstein). Promoveu artistas e adquiriu obras de arte, que colocou na casa inaugurada em fins dos anos 1960. Não tendo herdeiros diretos criou a fundação cultural Ema Gordon Klabin para criar um novo museu aberto à visitação pública. Faleceu em 1994.

Fotos: cortesia Casa Museu Ema Klabin (Ema) e Isabella Matheus (roupas e objetos)