A marca italiana Agnona: um cordeiro entre os lobos da moda
Na Semana de Moda de Milão, as manchetes são dominadas por nomes de destaque, modas extravagantes e celebridades posando nas passarelas.
Mas, nos bastidores, as marcas italianas de pequeno e médio porte, muitas vezes empresas familiares que são a alma da indústria, defendem com afinco seu ofício, lutando para manter vivas longas tradições de excelência.
Uma delas, a Agnona, começou em 1953 como uma tecelagem de lã na região do Piemonte, no norte da Itália, produzindo tecidos luxuosos em fibras naturais como caxemira, lã de cordeiro e angorá, que abasteciam as principais casas de alta-costura em Paris, de Christian Dior a Givenchy e Yves Saint Laurent.
Adquirida em 1999 pelo Grupo Ermenegildo Zegna, a Agnona passou da produção de tecidos para a de vestuário e foi vendida em 2020 para membros da família Zegna, Stefano Aimone, o CEO (diretor executivo, na sigla em inglês) e diretor criativo, e seu pai, Roberto.
A Agnona, que inaugura sua primeira loja principal em Milão no próximo mês, planeja uma rede global de lojas próprias e franqueadas no futuro.
Stefano Aimone conversou com a AFP para explicar os desafios enfrentados pelas marcas menores em meio à concorrência dos grandes conglomerados de moda, às mudanças nos hábitos de consumo e à corrida para o varejo.
'Sobrecarregados pela demanda'
"Se você quer buscar qualidade e certos tipos de trabalho artesanal, precisa permanecer aqui na nossa bota italiana. Mas muitas empresas fecharam. Muitas fecharam por causa da Covid, e no pós-Covid foram absorvidas por grupos maiores porque os custos aumentaram, os preços flutuaram, tiveram períodos sem vendas — sem trabalho algum — seguidos por excesso de trabalho. Financeiramente, elas não tinham as reservas.
"As empresas que restaram estão agora extremamente sobrecarregadas pela demanda dos grandes grupos franceses e das marcas italianas.
"O problema não é apenas o corte e a costura, é também a produção de materiais, porque tudo acontece em cascata... as tinturarias que ainda existem estão sobrecarregadas, o que gera atrasos, e os atrasos comprometem a qualidade de todo o processo industrial."
'Made in Italy'
"Eu diria que o 'Made in Italy' está se tornando relativamente menos importante para eles (os clientes); o cliente agora se identifica mais com a própria marca, com seus valores, com o que a marca representa...
"'Made in Turkey', 'Made in Italy', 'Made in France' — pode ser importante, mas definitivamente não é tão importante como já foi, porque as marcas têm sido muito ativas na comunicação de muitos outros valores que incorporam, o que fornece uma justificativa além da geografia.
"E, de certa forma, isso está certo, porque uma marca não é apenas seu produto — é também o que ela representa e o que faz além do produto em si."
'Plantando sementes'
"Estamos com um faturamento pouco abaixo de 15 milhões de euros, mas esperamos alcançar 20 milhões e mais em até três anos.
"Ainda temos muitos mercados com os quais nem começamos a conversar, por exemplo, toda a China, todo o Oriente Médio, toda a América Latina, toda a região da Ásia-Pacífico, incluindo a Austrália.
"Desde que assumimos a marca, foram anos de reconstrução: não apenas reconstruindo nossas instalações — o local industrial e a sede — mas também trabalhando na coleção.
"Introduzimos a moda masculina, então nos concentramos muito no trabalho interno e não quisemos necessariamente impulsionar o faturamento imediatamente. Porque se você vai ao mercado sem um produto sólido, corre o risco de arruinar tudo o que está tentando alcançar — pode ser contraproducente.
"Então, esses foram anos de plantar sementes e, agora que estamos prontos, estamos começando a nos dirigir ao mercado global."
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