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Moda

Consultoria de imagem pelo coletivo criativo Franja

By Marta De Divitiis

6 de mar de 2020

Continuando nossa série sobre as diversas possibilidades de se trabalhar com moda, hoje vamos abordar a consultoria criativa de imagem e quem fala a respeito, com exclusividade para o FashionUnited é Melina Harden, que responde pelo coletivo criativo Franja, que pode ser encontrado no Instagram como Hello Franja. Esse coletivo faz consultorias para marcas de moda e realiza trabalhos como direção e desenvolvimento de campanhas de lançamento de coleção; lookbooks; consultoria para imagem de moda (em casos de marcas que querem se reposicionar no mercado); pesquisas de mercado; produção e pesquisa de moda.

“Comecei depois da faculdade (sou formada em Negócios da Moda pela Anhembi Morumbi) trabalhando dentro de marcas de moda, a maioria no Bom Retiro, SP, atuando em diversas áreas e assim fui percebendo onde meu perfil profissional se encaixava mais,” diz Melina. Na época em que isso ocorreu as marcas do bairro não costumavam trabalhar a imagem, segundo ela e a profissional foi incluindo esse tipo de preocupação dentro dessas confecções pelas quais passou e que foram as primeiras clientes da empresa. ”Como eu trabalhei por alguns anos em áreas de marketing de algumas confecções notei que havia demanda de pessoas de fora que trouxessem novas idéias, mas que entendessem como funcionava a estrutura interna dessas marcas, otimizando processos já que temos um contato direto com o cliente,”explica.

O processo de trabalho

A Franja trabalha em consultoria de imagem. ”Geralmente quando as empresas entram em contato conosco a gente se reúne com a marca para fecharmos a ideia de como será o trabalho: se a campanha toda (e se for, como ela será), se será só look book, etc. Daí nós da Franja pensamos quais os profissionais que terão que ser envolvidos, quais os mais adequados ao trabalho e como esse trabalho será desenvolvido. A seguir damos início ao processo, indo atrás dos profissionais, produção, etc. Às vezes, antes de começarmos, quando a empresa entra em contato conosco, faço um diagnóstico do que a marca necessita para adequar sua imagem ao que pretende. Quanto ao cachê, na maioria das vezes a marca nos diz o quanto pode gastar com toda a campanha e vamos encaixando e adequando tudo para ficar dentro do orçamento; outras vezes nós fazemos um orçamento e passamos para a empresa, que aceita o orçamento fechado ou então propõe ajustes,”explica Melina.

Coletivo colaborativo

Melina é a diretora criativa, tudo o que é relativo à criação passa por ela e a Fernanda Pessoa, formada em audiovisual, faz produção, trabalhando em conjunto, como freelancer fixa. Há uma divisão de papéis, sem hierarquia. De acordo com Melina ela e Fernanda nunca quiseram que a Franja fosse uma agência com pessoas fixas. "Em cada trabalho nós pensamos qual é o tipo de trabalho e quais dos profissionais que conhecemos se encaixa melhor dentro do Job. Às vezes vamos atrás de novos profissionais, nem sempre trabalhamos com os mesmos. Nada é imutável em nosso negócio, procuramos sempre estar abertos a novidades,” explica enquanto enfatiza a importância de conhecer as várias áreas da moda e se especializar em áreas complementares. Segundo ela nessa profissão se acaba fazendo várias coisas diferentes, mas é preciso que se faça bem cada uma delas. “Por exemplo, eu trabalho com direção criativa então tenho que entender a respeito de luz, falar a mesma linguagem do fotógrafo, conhecer o trabalho de produção de moda para poder entregar um trabalho bem feito e que vá de acordo com o que a marca está necessitando no momento’”conclui. Saber um pouco de tudo, circulando pelas várias áreas dentro de uma marca de moda e se especializar onde se tem mais afinidade é o que ela aconselha a quem quiser seguir esse caminho.

Dificuldades e soluções

Os desafios da empresa, segundo Melina são vários: trabalhar com marcas as quais acreditam e compartilham os mesmos valores e empreender como mulher no Brasil são alguns deles. “O interessante é que tanto nós da Franja, como outras empresas dirigidas por mulheres e que são nossas parceiras nos apoiamos mutuamente: dividimos fornecedores, juntamos forças em determinados trabalhos. Nossa ideia sempre foi ser colaborativo porque na moda há um “ranço” de competição (por exemplo, não querer trabalhar com determinado fotógrafo porque ele fez as fotos da campanha de um concorrente) e isso só atrapalha o crescimento do mercado. Deveria haver mais união, inclusive na hora de cobrar, estabelecendo bases de cachê, por exemplo,” diz a diretora criativa. Segundo ela se houvesse essa colaboração maior o mercado seria mais regulado e mais forte. "Tentamos desmistificar essa competição. Há várias agências de moda que fazem trabalhos semelhantes ao nosso e não vejo nada de ruim em trabalharmos juntos nessa ou naquela campanha. Isso só agrega valor,”complementa.

Sustentabilidade em pauta

Segundo Melina a sustentabilidade acaba surgindo de forma indireta na empresa, via por exemplo, aconselhamento de utilização de fornecedores que utilizam tecidos de reciclagem; produção de campanhas com buffets vegetarianos (para a equipe poder se alimentar durante o trabalho de fotos e filmagens) e que não utilizam plástico nas embalagens; sugerir ações com ONGs de sustentabilidade e sempre orientar as empresas para evitar desperdícios de materiais.

Trabalho itinerante

A Franja já teve um escritório fixo, mas no decorrer do tempo Melina e Fernanda perceberam que o ideal é trabalhar de forma remota atendendo seus clientes fixos. “Um dos nossos primeiros projetos foi fazer uma campanha em Los Angeles, EUA, com várias marcas brasileiras - fui eu e o fotógrafo e lá contratamos o Stylist, profissionais de maquiagem e cabelo e modelos, além de fazer contato com vários outros profissionais americanos,”conta. Em 2019 Melina passou uns meses em Barcelona, Espanha, fazendo um curso e trabalhando com a Franja paralelamente.

"É possível respirar novos ares e ao mesmo tempo ir trabalhando com nossos clientes fixos; acredito que o futuro dos polos criativos é esse. Eventualmente há a necessidade de estar dentro do escritório de uma marca atendida e isso pode ser feito durante um período, sem nenhum problema; outras podemos estar trabalhando dentro de um coworking, e essa é a maior força da nossa empresa,” finaliza a diretora.

Fotos: Cortesia da Franja

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