Em Bangladesh, a arte da tecelagem do sari de Tangail está por um fio
Tangail (Bangladesh) - Mesmo tendo sido oficialmente reconhecida pela Unesco, a arte multicentenária da tecelagem do sari de Tangail passa por maus bocados em Bangladesh, ameaçada pela inevitável evolução da moda e pela competição econômica.
Em seu ateliê na cidade que deu nome ao seu artesanato, Ajit Kumar Roy já não tem muitas ilusões sobre o futuro da técnica que se esforça para perpetuar.
"É um trabalho muito penoso", resume o tecelão de 35 anos enquanto organiza os fios em seu tear. "É preciso mover as mãos, as pernas e os olhos ao mesmo tempo", detalha ele, "um pequeno erro e é preciso recomeçar tudo".
Seja de algodão, seda ou juta, o sari — um tecido feito à mão — de Tangail se distingue pela fineza de seus desenhos e pela particularidade de seus padrões.
Aqui, é uma tarefa de homens, encarregados da tecelagem, da escolha dos padrões e de suas cores. Às mulheres cabe a fabricação do fio ou a aplicação do amido de arroz no tecido.
Em dezembro, a Unesco inscreveu a prática em sua longa lista de patrimônio imaterial da humanidade, um testemunho "das práticas sociais e culturais" das populações locais.
Mas o setor vai mal, vítima das mudanças na moda, da falta de ajuda governamental e das variações nos preços da lã. Ele nunca se recuperou totalmente de sua queda durante a pandemia de Covid.
Ajit Kumar Roy afirma que o número de teares utilizados por seu chefe foi reduzido pela metade desde então. "Algumas fábricas fecharam as portas", acrescenta.
Questão de fronteiras
Muitos tecelões não tiveram outra escolha a não ser mudar de profissão. "Ganhamos 700 takas (cerca de seis dólares) por sari e leva pelo menos dois dias para produzir um", detalha ele, "como sustentar uma família com 350 takas por dia?"
À frente da associação de tecelões, Raghunath Basak, de 75 anos, teme que sua arte desapareça com ele. "Meu filho abraçou a mesma profissão, mas não sei como ele vai se virar quando eu deixar o ofício."
Apesar de um punhado de clientes de prestígio — de líderes do estado indiano vizinho de Bengala Ocidental à ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que usou um na sede das Nações Unidas em Nova York — a indústria está em declínio.
E as tensões políticas entre a Índia e Bangladesh não ajudaram em nada. "Costumávamos exportar nossos saris por via terrestre e importar a lã quando os preços subiam aqui", lembra Raghunath Basak, "agora a fronteira está fechada e torna as exportações quase impossíveis".
Até a década de 1960, os saris eram um dos símbolos da identidade do que ainda era o Paquistão Oriental.
Mas as preferências dos consumidores mudaram. Embora continue a enriquecer seu guarda-roupa com cerca de 20 saris de Tangail a cada ano, Kaniz Neera, de 45 anos, entendeu bem que eles não seduzem mais a geração jovem.
"Minha mãe os usava tanto em casa quanto fora", destaca ela. "Agora, as mulheres jovens só os usam em ocasiões especiais."
O autor Shawon Akand, no entanto, se recusa a enterrar um artesanato que conheceu seu auge quando o império mogol reinava sobre a península indiana (séculos XVI-XIX). "Os tecelões de Tangail são herdeiros de tradições ancestrais", lembra ele, "o sari de Tangail vai evoluir e, tenho certeza, resistir".
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