Estigmatizada mas sustentável, a pele retorna com força graças ao vintage
Nova York - Laura Jacobs pensava que nunca usaria pele de animal, depois de ter testemunhado várias manifestações contra seu uso na moda... Até que ela começou a ver peças do tipo por toda parte nas ruas de Nova York.
Foi então que ela pegou o longo casaco de vison que sua avó lhe havia deixado de herança anos antes e o levou a um peleiro em Manhattan para lhe dar uma segunda vida. "Eu nunca teria comprado um casaco de pele", diz ela à AFP, posando em frente a um espelho de corpo inteiro para avaliar um possível ajuste. "Mas, neste caso, sinto que estou reciclando."
Além de um frio particularmente rigoroso, o inverno em Nova York foi marcado por debates acalorados sobre o retorno da pele, agora promovida por alguns influenciadores. Comerciantes como Larry Cowit, que dirige a Madison Avenue Furs, observam um aumento nas vendas. "Tenho clientes de 20 anos que chegam direto da faculdade e vestem uma jaqueta de raposa", conta ele. "Não víamos isso há muito tempo."
Noelle Sciacca, gerente de moda do site de revenda de luxo The RealReal, confirma que "o interesse por pele acelerou consideravelmente", com as buscas por peças vintage quase triplicando entre 2024 e 2025.
O fato de o produto ser sustentável e oferecer possibilidades de revenda "deixou os consumidores à vontade para adotá-lo como algo moderno e consciente", analisa ela.
"É biodegradável"
Na indústria da moda, a pele está em declínio há décadas, um movimento impulsionado principalmente pela luta dos defensores dos animais. Alternativas sintéticas e mais baratas ganharam espaço.
Muitas maisons se comprometeram a não usar mais pele natural, incluindo Prada, Michael Kors e Saint Laurent. Sua proibição na Fashion Week de Nova York entrará em vigor em setembro. E, mais recentemente em Milão, manifestações pediram seu abandono completo.
A Comissão Europeia também está analisando uma iniciativa de cidadãos que reuniu milhões de assinaturas pedindo a proibição em toda a União Europeia (UE) da criação de animais para a extração de pele.
Mas, ultimamente, a mensagem se tornou confusa, à medida que as preocupações com o fast fashion e os materiais derivados de petróleo cresceram. "Sempre imagino todos os casacos de pele sintética produzidos atualmente derretendo em uma poça de plástico. A ideia de reutilização e reciclagem pode incluir a pele vintage", defendeu Laird Borrelli-Persson, jornalista da influente revista Vogue.
Casacos de pele verdadeira exigem manutenção regular. As peles contêm óleos naturais e, se não forem mantidas em local fresco durante as estações quentes, podem ressecar e se desintegrar. "É biodegradável", destaca Larry Cowit.
"Animais torturados"
Mas para Ashley Byrne, da associação de defesa dos direitos dos animais PETA, comprar peças vintage em nome da sustentabilidade é "bem-intencionado, mas equivocado". As pessoas deveriam "entender que usar uma pele vinda de um animal que foi torturado e morto equivale a endossar práticas que elas certamente não desejam apoiar", explica ela.
Na loja de Larry Cowit, a proporção entre as vendas de peles vintage e novas é agora de aproximadamente 70 para 30. Os casacos de segunda mão são negociados entre 500 e 10.000 dólares, e o vison comum é vendido por valores entre 1.500 e 1.800 dólares. Ele atribui o crescimento do seu negócio aos "influenciadores nas redes sociais (que) realmente mudaram o jogo".
Essa dinâmica é em parte alimentada pela estética "mob wife" (esposa de mafioso), um visual que combina joias chamativas, estampas de animais e pele, que é tendência no TikTok há alguns anos. A própria conta do Instagram da Madison Avenue Furs apresenta a sobrinha de Larry Cowit na varanda da loja com casacos que lembram a série "Família Soprano".
Na loja, Renee May, uma estilista acompanhada por clientes que desejam modernizar os casacos de suas avós, afirma à AFP que "muitas delas estão usando suas peles novamente". Nicole Bellmier, de 36 anos, gosta desse visual "muito nostálgico". "É algo para passar para nossos filhos", acrescenta sua prima Dominique Defonte.
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