Fashion Week: Jeanne Friot assina moda queer mais engajada do que nunca
Paris - "Não consigo imaginar fazer de outra forma": a estilista francesa Jeanne Friot abriu na terça-feira a semana de desfiles de Paris com um show de dança energético, aplaudido de pé, um manifesto de uma moda cada vez mais engajada na defesa das identidades LGBTQIA+.
"Meu engajamento vem da minha personalidade, do fato de ser uma mulher lésbica, uma mulher queer", afirma à AFP a estilista de 30 anos, conhecida por sua moda eco-responsável e sem gênero.
Apresentada no palco do Théâtre du Rond-Point, sua nova coleção de inverno mista, intitulada Awake, é a mais recente ilustração disso, tanto no conteúdo quanto na forma.
Concebido mais como uma "performance" do que um desfile, este novo show mobilizou 23 dançarinos e dançarinas do Ballet de Lorraine, dirigidos pela coreógrafa Maud Le Pladec. "A dança em nossos círculos queer é preponderante como um lugar de resistência", lembra Jeanne Friot.
Revolution
Durante oito minutos, dançarinos e modelos — entre eles personalidades como a jornalista Daphné Bürki e a drag queen Mami Watta — revelaram uma série de silhuetas emblemáticas do guarda-roupa da estilista ao som de uma trilha sonora animada.
Em uma paleta dominada por vermelho, preto e roxo, seguiram-se calças com plumas, um corset feito de cintos de couro vermelho, um tailleur de saia e paletó inteiramente bordado com lantejoulas, jaquetas de couro com ombros esculpidos e minissaias estilo kilt.
Fã de camisetas com mensagens, a estilista também propõe dois novos modelos, um com a frase "It's never too late to fight against fascism" e outro com "Revolution" e a palavra "love" invertida. Nessa mesma linha engajada, duas noivas — uma de terno preto, a outra de branco — se beijam enquanto os dançarinos giram ao redor delas.
Este primeiro desfile terminou sob os aplausos do público. O suficiente para tranquilizar a estilista que, uma hora antes do desfile, confessou nos bastidores, rindo, que se sentia "um pouco à beira do abismo", mencionando "muita pressão". "Espero que isso dê início à Fashion Week com muita energia e impulso", afirmou ela. Missão cumprida.
Meio hostil
Após dois anos na categoria "apresentação", Jeanne Friot desfilou pela primeira vez no calendário oficial, "a conclusão de seis anos de trabalho". Formada pela escola Duperré e depois pelo Institut Français de la Mode, com passagens pela A.P.C., Maison Kitsuné, Wanda Nylon e pelo estúdio da Balenciaga, a estilista parisiense diz ter percebido desde cedo que "faltavam coisas" na indústria.
Nem a eco-responsabilidade, a produção local, nem o questionamento das normas de gênero estavam presentes, sem falar na ausência de modelos femininos e lésbicas em posições de poder. "Eu não encontrava lugares na moda onde houvesse um ativismo forte e assumido", recorda.
Ela então lançou sua marca em 2020, em plena Covid, fiel aos seus princípios, produzindo cada peça na França a partir de upcycling, com "deadstocks" (estoque de tecidos não utilizados de maisons de moda, nota da redação). Seu trabalho acabou chamando a atenção de celebridades como Madonna e Katy Perry, que usam seus agora famosos vestidos-cinto.
Em 26 de julho de 2024, seu traje de cavaleira prateada para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris rodou o mundo. "Isso impulsionou, sem dúvida, a economia da marca", reconhece a estilista. Uma visibilidade bem-vinda para uma marca ainda em desenvolvimento, que hoje conta com uma equipe de sete a oito pessoas. "Como independente, é sempre complicado continuar, contratar e até mesmo sobreviver em um ambiente bastante hostil", resume ela.
O rótulo de estilista engajada continua sendo "difícil" de carregar. "Se existem tão poucos, é por um bom motivo", diz ela. Assumir seus valores fecha algumas portas, mas abre outras, garante. "Há pessoas que vêm justamente pelos valores que eu defendo", observa a estilista. "É um ponto de vista complicado de se manter, mas acredito que seja necessário".
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