P. Andrade se apresenta na PFW pela segunda vez
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Primeira marca brasileira a integrar o calendário oficial masculino da Paris Fashion Week, a P. Andrade retorna à capital francesa. O desfile, que aconteceu ontem, dia 28 de junho, marca um novo capítulo da trajetória internacional construída por Pedro Andrade e Paula Kim. A coleção, com 30 looks, foi inspirada em manifestações festivas populares brasileiras, tradições regionais e expressões culturais de diferentes regiões do país.
Para o desenvolvimento do conceito e pesquisa de campo com criativos locais, a marca contou com a colaboração de Rudah Ribeiro (Goma Studios). Já para a dinâmica do desfile, a co-direção teve a dupla Luiza Machado e Marcelo D2, que também assinou a trilha sonora, ao lado de Dos Fita e Novíssimo Edgar, que ainda trabalhou com Pedro e Paula na construção da narrativa e confecção das máscaras, peças chave da apresentação em Paris.
“Os bate-bolas foram apenas uma porta de entrada para um universo muito maior e extenso das sub-culturas festivas brasileiras. Ao longo da pesquisa, percebemos que existiam inúmeras manifestações populares que mereciam ser exploradas. A coleção fala sobre essas festas, seus personagens e uma riqueza cultural que vai muito além da visão mais conhecida do Carnaval”, afirma Pedro Andrade num comunicado.
O estudo mergulhou em símbolos, personagens, fantasias, máscaras, bandeiras e rituais que compõem o imaginário das festividades brasileiras, levando para a passarela narrativas ainda pouco conhecidas pelo público.
“Gostaria que as pessoas saíssem com uma curiosidade maior sobre o Brasil. Que entendessem que existe muito mais por trás das imagens mais conhecidas do país e que nossa cultura é rica, diversa e cheia de histórias que ainda merecem ser descobertas”, diz Paula Kim no mesmo comunicado.
A coleção também incorpora iniciativas desenvolvidas em parceria com o Instituto Riachuelo. Entre os itens apresentados na passarela estão camisetas e moletons confeccionados em algodão 100 por cento, dos quais 25 percentuais têm origem agroecológica, cultivado e colhido no Rio Grande do Norte por agricultores participantes de projetos apoiados pelo Instituto, e ainda uma camiseta tingida com corante natural extraído da anileira cultivada em Monteiro, na Paraíba, desenvolvido a partir do trabalho da comunidade local e aplicado em escala industrial pela Guararapes, grupo ao qual a Riachuelo pertence.
O projeto inclui ainda o trabalho de sete bordadeiras de Timbaúba dos Batistas (RN), acessadas por meio de iniciativas apoiadas pelo Instituto Riachuelo, responsáveis pela produção de 18 bandeirinhas inspiradas nos símbolos presentes nas manifestações pesquisadas pela marca. Espalhadas ao longo da coleção, as peças foram desenvolvidas manualmente e em máquinas de pedal, utilizando técnicas tradicionais como Richelieu e pontos cheios, chegando pela primeira vez a uma passarela internacional.