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Profissões: fotógrafo de moda

By Marta De Divitiis

23 de dez. de 2021

Moda

Entre as profissões possíveis relacionadas à moda, a fotografia é uma delas, aliás fundamental. Aqui conversamos com Otávio Roberto Costa Sobrinho, conhecido como Otávio Sobrinho Cigano, fotógrafo que se especializou no segmento. Formado em Moda pelo Senai Cetiqt - Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil - do Rio de Janeiro e em fotografia pela ABAF - Associação Brasileira de Arte Fotográfica, de origem cigana (daí o Cigano no nome), começou a se interessar pelas lentes ainda criança, vendo seu pai que costumava fotografar as festas da comunidade. Dividido entre Brasil e Portugal desde criança, o profissional já fotografou as principais semanas de moda mundiais, além de revistas, catálogos e eventos.

FashionUnited: como você chegou à fotografia de moda?

Quando comecei na fotografia, aos 14 anos, comecei como quase todo mundo, passando por várias fases: casamentos, eventos, fiz muitas assistências e cheguei até a fazer fotos policiais para um jornal do Rio de Janeiro, isso quando era maior de idade. Mas antes mesmo de eu estudar moda, tive uma estamparia e depois uma marca de moda; muitas vezes eu fotografava as peças para enviar aos clientes. Eu namorei uma modelo que me apresentou a um fotógrafo que tinha um estúdio em Ipanema, onde tive contato com editoriais e catálogos de moda. Fiquei fascinado quando vi fotos de jóias e comecei a fazer fotos tanto de modelos como de produtos. A seguir, em fins de anos 1980, havia uns eventos de moda que eram realizados nas boates cariocas como o Hippopótamus e com modelos famosas, que eu frequentava e fotografava. A partir daí passei a fazer muitas fotos de backstage, de eventos de moda, como os da Yes Brazil, Fabricatto, Ellus. A semana do Barra Shopping e o Phitoervas Fashion em São Paulo, durante os anos de 1990 me marcaram muito. Trabalhei também com revistas aqui no Brasil, na editora Bloch. No antigo Morumbi Fashion fui credenciado como fotógrafo internacional pois eu fazia as semanas de moda européias e de Istambul. Até hoje faço o SPFW - São Paulo Fashion Week - que eu amo, me sinto abraçado por São Paulo quando estou aí e sempre me emociono no fim do evento. Em Portugal trabalhei com uma agência que fazia campanhas de moda e trabalho com eles até hoje, uma vez que divido meu tempo entre o Brasil e Portugal.

Quais as dificuldades que os fotógrafos enfrentam?

A primeira delas é conseguir penetrar no meio de moda. É um universo um tanto fechado, as pessoas que trabalham com moda, tanto no Brasil como no exterior, sejam estilistas, costureiras, jornalistas, são retraídos, mesmo sem perceber. Isso atrapalha muito todo o circuito, que é muito fechado. Sou uma pessoa muito falante e sociável e busco sempre ser mais empático. Para mim falta também um pouco de empatia no segmento, que vive mais em função da aparência. Quanto à fotografia, é preciso se valorizar e não trabalhar por qualquer valor, só para dizer que está trabalhando com moda, o que acontece bastante. Os equipamentos que utilizamos são muito caros e há uma certa pressão em se trabalhar com equipamentos de última linha, mesmo que não resultem em fotos de melhor qualidade. Você é julgado pelo equipamento e as marcas sabendo disso lançam sempre novos equipamentos. Moda é muito mais glamour e menos dinheiro, ouso dizer que ganha-se mais fazendo fotografias de propaganda.

Quais as habilidades fundamentais para ser fotógrafo de moda?

Antes de tudo deve-se gostar de moda e de trabalhar com pessoas. Gentileza e cordialidade, além de saúde é fundamental quando se vai fotografar uma semana de moda. Os pits de fotógrafos, a partir do fim dos anos 1990 ficaram lotados e é necessário se posicionar bem para fotografar, sem atropelar ninguém (daí a necessidade da cordialidade e gentileza). Saúde porque uma semana de moda cansa muito, quando acaba você está com bolhas nos pés, dores várias por conta de carregar o equipamento de lá para cá. Ser rápido e muito atento aos detalhes é importante, às vezes você estuda uma passarela e quando o desfile começa a luz que fizeram no ensaio mudou. Daí tem que ser rápido e mudar as lentes, por exemplo. Estudar sempre e não ter medo de inovar, especialmente quando for fazer um editorial ou campanha.

Quais são as expectativas para o futuro?

Espero que a fotografia volte a ser valorizada, especialmente feita por fotógrafos que estudaram muito para chegar onde chegaram. Hoje com as mídias sociais, todo mundo se julga fotógrafo e vende ou faz fotos praticamente de graça, desvalorizando a profissão. Daí para aquele fotógrafo que deu duro para chegar onde chegou nem sempre vale a pena sair para fotografar. Às vezes você ganha quase o que gastou com o transporte para chegar ao evento, o que não vale a pena. Minha expectativa é que a fotografia volte a ser valorizada e melhor paga. Espero também que os equipamentos fiquem mais práticos e leves (risos).

Fotos: Otávio Sobrinho Cigano e Larissa Offredi (Otávio Fotografando)

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