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Profissões: Modelista

By Marta De Divitiis

29 de mai. de 2020

Para que uma roupa fique bem no corpo de qualquer consumidor, há um profissional fundamental dentro de uma confecção: o modelista. É graças a ele que a ilustração do estilista se transforma numa peça pronta e que veste bem. Fábio Martinez, designer de moda com habilitação em modelagem, formado pelo Senac São Paulo, trabalha como modelista autônomo e é docente de modelagem e costura no Senac Lapa Faustolo, em SP. É ele que fala para o FashionUnited a respeito da profissão.

Questões como o vestir bem, a diferenciação, a inovação e a oferta de produtos passam todos pela modelagem. “Num mercado tão saturado de marcas, que surgem todos os dias, com uma oferta imensa de produtos, a modelagem se torna essencial para que a marca se sobressaia,”explica Martinez.

Atributos de um bom modelista

Curiosidade, interesse por pesquisas e formas geométricas, observar o mundo ao redor e ao mesmo tempo ter olhos para o passado são alguns dos requisitos para ser um bom profissional, na opinião do docente. “Conhecer os diversos biotipos, ter prazer em estudar, assistir desfiles para ver o que os estilistas e marcas estão desenvolvendo, são questões importantes na profissão,” explica. Conhecer os diferentes tipos de modelagem e de acabamentos de costura também devem ser considerados segundo Martinez.

Uma boa formação passa por uma faculdade de modelagem, cursos técnicos ou mesmo cursos livres. “Acredito muito naquelas pessoas que têm uma curiosidade nata, que procuram se aperfeiçoar a cada dia,”justifica o profissional. Conhecer muito bem costura e acabamentos se torna um diferencial, pois tudo isso contribui para o desenvolvimento de uma peça de roupa. Vale lembrar ainda que as formas do corpo mudam de acordo com a época e o público. “Há alguns anos era moda as plásticas mamárias de silicone, daí você tinha que levar isso em consideração na hora de desenvolver a modelagem, mesmo porque ela tem o poder de evidenciar alguns pontos e disfarçar outros,”conclui o profissional.

Rotina de trabalho

Normalmente dentro de uma confecção, o modelista recebe os desenhos do estilista acompanhados de uma ficha técnica com todo o detalhamento das roupas. A partir daí ele desenvolve a modelagem que pode ser obtida por meio de moulage (técnica em que se constrói a peça diretamente sobre o corpo) ou a modelagem bidimensional, plana (pode ser manual ou computadorizada). Com os moldes desenvolvidos são cortadas e costuradas as peças-piloto que, uma vez prontas, são experimentadas num modelo. Com essa prova de roupa se observa se é necessário fazer correções nos moldes (que se for computadorizado é salvo no backup) . Uma vez aprovados os moldes, é hora de fazer a gradação dos modelos, isto é, aumentar e diminuir a grade de tamanhos, de acordo com a numeração que a confecção utiliza.

Aqui no Brasil não há uma padronização de tamanhos, geralmente o que vai nortear o tamanho será o público alvo que se pretende alcançar. Daí há uma série de dificuldades quanto a essa questão. O modelista tem que se adaptar a partir do tamanho da modelo de prova que a marca utiliza. A seguir se faz uma tabela de medida para que se realize e gradação correta dos moldes. “O fato de não termos uma padronização dificulta inclusive para o consumidor final comprar via Internet, por exemplo; já vi muitas diferenças entre tamanhos, cada confecção faz o seu e gera uma certa confusão,” explica Martinez. Por outro lado o docente ressalta que cada corpo é único e a padronização pode oferecer o perigo de deixar algum tipo de corpo fora.

Tipos de modelagem

Dentro do universo da moda há inúmeras possibilidades de se especializar em modelagem. Há especialização em alfaiataria, para peças como ternos, costumes e tailleurs; há modelistas de moda casual, de jeanswear; assim como lingerie e moda praia. “É um mundo de possibilidades que se você é um bom profissional dá para explorar,” diz. O docente explica também que o mercado de moda brasileiro carece de bons modelistas. “Hoje temos poucos profissionais qualificados porque a pessoas não se interessam muito por modelagem, mas é um mercado bastante promissor,”conclui.

Fotos: Cortesia Fábio Martinez