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Sapato Sem Nome rompe conceitos de mercado

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Sapato Sem Nome rompe conceitos de mercado

A Sapato Sem Nome, marca criada por Pam Magpali (ex-Insecta Shoes) e Danielle Silva tem uma proposta inovadora: oferecer pares de calçados exclusivos e irreproduzíveis, com um pé diferente do outro. Além disso, a marca também reaproveita pares de sapato ou tênis usados, dando-lhes uma nova vida. Tudo isso por um preço relativamente acessível: entre 220 e 280 reais A marca trabalha com numeração bem ampla (do 32 ao 45) e vende via e-commerce e Instagram.

São três os objetivos de Pam e Danielle: primeiro, valorizar o ofício de sapateiro. Segundo, levantar a bandeira da "slow fashion" (moda devagar) e da economia circular, a qual prega a redução do uso de recursos naturais e máxima recuperação e reciclagem de materiais. Por último, mas não menos importante, as duas queriam dar vazão à criatividade.

Ambas designers e residentes em Novo Hamburgo, um dos polos calçadistas gaúchos, Pam e Danielle partiram dos resíduos de couro, borracha e tecidos, abundantes na cidade, para criar esse novo conceito de calçado. “Há lojas na cidade que vendem retalhos e aparas de couro. Também recolhemos [material] de empresas que sabemos que descartam essa matéria-prima. Acreditamos que está na hora de repensarmos a produção industrial, o consumismo desenfreado, a forma como tratamos tanto as pessoas como a matéria-prima, o ciclo de vida dela. Todas essas questões foram os pilares para a criação da marca e o sapato é resultado disso,” explica Danielle.

Pam, que foi um das fundadoras da Insecta Shoes, marca de calçados veganos que começou dando nova vida a roupas de brechó, está no segmento há 10 anos. Já Danielle, formada em moda recentemente, teve como tema de seu TCC o upcycling (reaproveitamento) de calçados.

Mas por que o sapato não tem nome? Segundo as designers, a ideia é justamente abrir um questionamento, tirando o foco de marca e conduzindo a atenção para o produto em si, um calçado de boa qualidade, feito com carinho usando matéria-prima obtida do descarte.

Outros dois profissionais trabalham na empresa além de Pam e Danielle: uma costureira e mestre sapateiro que conta com mais de 20 anos de experiência. Todo o processo de criação e divulgação do sapato, desde a escolha do materia e da silhueta até a estratégia de marketing e redes sociais, é realizado em conjunto: todos os quatro opinam.

Projeto Frankenstein

Além dos calçados novos, a marca desenvolveu também um projeto chamado Frankenstein, no qual pares de sapatos ou tênis usados são descosturados e reconstruídos com a inserção de novos materiais quando necessário. "Pensamos nesse projeto porque há calçados que as pessoas adoram, mas que não podem usar mais devido ao estado degradado do produto. Assim, praticamente desmontamos e remontamos o calçado aumentando sua vida útil,” explica Pam, dizendo que recentemente remontaram um par de tênis de um amigo e que o processo todo levou dois dias.

De acordo com o CICB – Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil – os retalhos e aparas de couro podem ser poluentes e uma das principais recomendações da lei ambiental brasileira é que os resíduos ganhem vida nova com técnicas de reciclagem.

Fotos: Cortesia da Sapato Sem Nome

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