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Moda

Sustentabilidade pós pandemia é discutida em palestra do Inspiramais

By Marta De Divitiis

26 de ago. de 2020

Tema mais que urgente, a sustentabilidade foi abordada em palestra ministrada pela consultora de moda Tatiana Ritzel e pelo químico Fernando Brandão, durante o Inspiramais - Salão de Design e Inovação de Materiais da América Latina - que está acontecendo virtualmente e termina amanhã, dia 27.

A palestra Como ser Sustentável, Rentável e Verdadeiro no Mundo da Moda começou com Tatiana abordando os anos 1990, período em que ao mesmo tempo que se consolidou o Fast Fashion, iniciou uma percepção da necessidade da sustentabilidade. A conscientização coletiva da sustentabilidade, segundo a especialista, ocorreu com a chegada da geração Z (nascidos entre aproximadamente 1995 e 2010), que cultiva uma certa aversão ao consumismo.

“Essa geração presenciou inúmeras catástrofes naturais e têm a percepção que o mundo evoluiu à custa do meio ambiente. Além de ser uma geração questionadora, ela busca produtos simples, com boa comunicação, sustentáveis e cujas marcas respeitem os valores naturais e humanos,”explicou.

A seguir Tatiana falou que a pandemia levou toda a população mundial praticamente parar, se isolar e esse isolamento provocou reflexões e mudanças que provavelmente levariam aproximadamente uns 10 anos para acontecer. “Jamais seremos os mesmos e temos que pensar que nosso consumidor mudou também,” falou. A seguir deu dicas de como as empresas, que vivem de vendas, devem se portar daqui para a frente.

Atenção aos novos consumidores devem nortear as marcas

De acordo com a especialista, o consumidor vai realizar compras mais assertivas, (menos itens com produtos de melhor qualidade e durabilidade) observando todo o impacto da cadeia produtiva.

Um passo importante diz respeito à humanização, ou seja a valorização dos funcionários dentro das empresas. Além disso os produtos devem ser pensados na sustentabilidade desde a matéria-prima até o descarte. “Numa coleção de 100 pares de calçados, por exemplo, apenas 40 por cento deles vendem bem e destes, apenas 3 ou 4 são totalmente sustentáveis; daí há a necessidade de se repensar as coleções, fazendo talvez coleções mais compactas e totalmente sustentáveis,”disse. Segundo Tatiana em alguns casos vale até fazer apenas uma linha ou uma segunda marca com essa vertente.

A consultora explicou que a comunicação é um item fundamental dentro desse processo, porque por meio dela o cliente vai entender todo o desenvolvimento, o valor agregado e o preço mais alto. “É importante perceber que a lucratividade não vai cair, porque haverá menos itens numa coleção com mais qualidade, mais durável e portanto com um preço maior,” justificou.

Por fim, a consultora concluiu dizendo que há três tipos de consumidores: aqueles que são ecologicamente corretos natos e que já conhecem e compram de marcas determinadas; aqueles que estão querendo mudar, mas que ainda valorizam a estética e o valor e finalmente os que não estão nem um pouco engajados. “Para as marcas vale procurar atender aqueles consumidores que estão começando a se engajar, “ finalizou.

Coerência entre a produção e seus processos

Já Brandão começou falando que tudo passa pelas questões pessoais, que impulsionam a liderar processos de transformação dentro das empresas. Falou a respeito do trabalho da ONU - Organização das Nações Unidas - com 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, que é uma espécie de guia para se ter uma visão mais humana a respeito do tema.

“Há níveis de ação que vão desde o pessoal até o de cadeia, passando pelas empresas,”falou exemplificando com a cadeia vinílica européia, que implementou processos sustentáveis até 2010 e que agora continua desenvolvendo o procedimentos para tornar tudo ainda mais limpo.

A seguir explanou a respeito dos procedimentos que a Cipatex, empresa na qual atua, que tem retirado da planta produtos tóxicos, sendo que houve uma drástica redução de resíduos que vão para aterros sanitários (somente 0,1 por cento).

“As ações vão além dos produtos; tem que haver coerência entre o que se produz e como se produz; na realidade é uma filosofia que tende a ser capilarizada,”concluiu.

Fotos: Morning Brew, Edward Howell, Alex Takil/Unsplash