Dossiês Epstein: um recrutador, empresários e 'etapas' de submissão
Paris (França) - Etapa por etapa, até serem "aliciadas": Juliette G. e Ebba P. Karlsson, duas ex-modelos descobertas por Daniel Siad para serem apresentadas, respectivamente, ao criminoso sexual americano Jeffrey Epstein e ao diretor de uma prestigiada agência francesa, denunciam à AFP uma mecânica insidiosa.
"Identifiquei várias etapas que me levaram até lá", conta Juliette. "Esses homens, na manipulação, fazem testes de submissão para ver até onde a moça vai ceder", avalia a francesa de 43 anos. Primeiro, "a seleção". Em 2004, Juliette, de 21 anos, é abordada na Champs-Elysées por Daniel Siad, que lhe oferece "oportunidades profissionais" como modelo nos Estados Unidos. "Acho que ele tentou detectar se eu aceitaria sem fazer muitas perguntas. Foi o que eu fiz, deixei a ambiguidade para não parecer complicada."
Como únicas informações, Juliette recebe uma passagem de avião e um endereço. Mas ela é tranquilizada por sua agência, que diz conhecer o Sr. Siad.
Em Nova York, Juliette conhece Jeffrey Epstein, de quem descobre o nome. Ele pede seu passaporte e anuncia: "Não tenho tempo para te ver hoje. Vou te dar 120 dólares. Se quiser fazer compras, tenho minha limousine".
Esse passaporte, é a "segunda etapa" superada, uma "tomada de reféns", avalia Juliette. A terceira, é "a dívida". Ter aceitado esse dinheiro tornou Juliette "devedora sem querer". "Tive vergonha por muito tempo. Anos depois, cheguei a pensar em reembolsá-los."
No dia seguinte, Juliette espera uma entrevista profissional. Epstein lhe "faz um tour pela propriedade" passando pela cozinha, uma sala de musculação decorada de "fotos com zoom em partes íntimas de mulheres"... "Seria um teste discreto de tolerância? Para ver se eu iria embora ou se aceitaria ser imersa em um ambiente... surpreendente?"
"Radar interno"
Depois, a "etapa final: o quarto". "Venha", teria intimado Epstein. "Tive como um radar interno. Senti a necessidade de dizer: 'Estou avisando, não farei nada'." "Não se preocupe, ele teria respondido. Preciso ver seu corpo para te apresentar às agências." Seu peito, principalmente.
"Penso um pouco, mas viajei sete horas de avião, pagaram minha passagem... Eu faço." Epstein "a apalpa" e então teria decretado: "Não está bom", recomendando uma "preparação física de três meses". "Se precisar de dinheiro, posso te oferecer alguns trabalhos."
Na mente de Juliette, "todas as peças se encaixam": o passaporte, o dinheiro, as fotos, os trabalhos "duvidosos" como "acompanhante em festas"... Ela finge pensar a respeito e pede para recuperar seus documentos. Epstein procura em meio a "cerca de 20 passaportes" e os devolve a ela. Ela não deu mais notícias, mesmo que "Daniel Siad tenha tentado contatá-la".
Hoje, Juliette testemunha para "ajudar" os investigadores que procuram possíveis cúmplices de Epstein. Em 1990, Daniel Siad também abordou Ebba P. Karlsson, na Suécia. "Ele era muito bom em avaliar a vulnerabilidade", avalia a sueca de 56 anos. "Ele se dedicava a entender os desejos, apresentando-se como um salvador... e aliciava."
A ela, ele promete "um trabalho". Ela o encontra em Mônaco, o segue para a França. "Ele começou a me abordar: 'Você é tão bonita', 'Gosto de você'. Eu repetia que não estava interessada." Quanto mais os dias passavam, sem trabalho nem dinheiro, mais ela ficava "dependente".
Uma noite, "ele me estuprou", acusa ela. "Eu estava paralisada e assustada. Ninguém sabia onde eu estava." Nos dias seguintes, ele anuncia que conseguiu uma entrevista na agência Elite. O Sr. Siad, que atualmente é alvo de uma investigação em Paris conduzida pelo Escritório Central de Repressão ao Tráfico de Seres Humanos, "nega veementemente".
"Espero que Daniel Siad não esteja assumindo a responsabilidade, por ainda estar vivo, por atos de outros homens que já morreram", reagiu à AFP sua advogada, Menya Arab-Tigrine.
O nome dele já havia aparecido em uma investigação judicial, ligada ao agente de modelos Jean-Luc Brunel, que se suicidou na prisão em 2022. Durante três anos de investigação, "ninguém considerou que havia indícios graves ou consistentes que justificassem a detenção do Sr. Siad", destaca sua defesa.
"Aproximações fantasiosas"
De volta aos anos 1990. Na Elite, Ebba P. Karlsson tem uma longa entrevista com o diretor Gérald Marie, que a elogia por "suas aspirações". Em seguida, o Sr. Marie pega "alguns portfólios" e pergunta: "Você reconhece estas mulheres? O que elas fazem para ganhar somas astronômicas?". "Nesse momento, ele desliza a mão entre minhas pernas, em direção às minhas partes íntimas", acusa ela.
Enquanto a moça tem a sensação de "perder toda a força", Gérald Marie a convida para um casting em sua casa. Ela afirma ter desfilado lá, "com outras moças", "de seios nus", na frente de Daniel Siad, entre outros. Ela finge aceitar o trabalho, mas diz que precisa voltar para a Suécia. Ela não retornaria.
"Gérald Marie sofre esses ataques infundados há anos demais", criticou à AFP sua advogada, Céline Bekerman, que "considera tomar medidas judiciais".
Em 2023, uma investigação contra ele por estupro foi arquivada por prescrição. "Algumas das autoras da ação, incluindo a Sra. P. Karlsson, optam por não acatar essa decisão" e "ocupar o espaço midiático estabelecendo conexões artificiais e fantasiosas entre Gérald Marie e casos aos quais ele é estranho", lamenta a advogada Bekerman.
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