No campo uruguaio conheci "a beleza de verdade" - diz Gabriela Hearst - ícone da moda sustentável

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Gabriela Hearst ao final de seu desfile Outono Inverno 2026, Prêt-à-Porter Créditos: ©Launchmetrics/spotlight
By AFP

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Montevidéu - Uma infância na natureza, animais do campo e céus estrelados no interior remoto do Uruguai: foi assim que a estilista Gabriela Hearst cultivou sua paixão pelo luxo sustentável, com o qual deu a volta ao mundo combinando fibras naturais, trabalho artesanal e baixo impacto ambiental.

Prestes a completar 50 anos, Hearst é um nome consagrado nos altos círculos da moda. Ela foi a primeira latino-americana a dirigir a maison francesa Chloé (2020-2023) e há uma década sua marca pessoal é escolhida por celebridades como Kate Middleton, Julia Roberts ou a ex-primeira-dama americana Jill Biden.

Embora tenha se estabelecido e construído sua carreira principalmente em Nova York, ela disse à AFP que tudo o que sabe "sobre qualidade e sustentabilidade" aprendeu em seu Uruguai natal, um país pecuarista de apenas 3,4 milhões de habitantes onde conheceu "a beleza de verdade".

"Quando eu era moça, queria viajar, ver o mundo", contou em uma entrevista durante sua recente viagem a Montevidéu para apresentar os uniformes da delegação uruguaia na Copa do Mundo de Futebol.

Depois de percorrer o mundo, "pude valorizar o que é crescer com aqueles céus cheios de estrelas, a natureza, comer a comida da terra, a qualidade, o luxo natural que me cercava".

Pouco, mas bom

"Minha mãe tinha um guarda-roupa muito pequeno no campo" com roupas "feitas pela Tota, a costureira da família". Mas cada peça nova era encomendada para "momentos especiais da vida: o enxoval, quando você se casava, quando tinha um filho", recorda. "As roupas eram herdadas".

Seu apelo para escolher qualidade em vez de quantidade, e para comprar peças atemporais, desafia os tempos atuais de 'fast fashion' e tendências efêmeras.

E embora Hearst reconheça que a grande maioria não pode custear um guarda-roupa feito de peças de materiais nobres, pode, sim, contribuir ao frear o consumo, afirma ela.

"Recebi a visita de estudantes e lhes perguntei: quantos de vocês compram 'fast fashion'? Eram cerca de 25 e dois ou três levantaram a mão. E quantos compram roupas vintage? E todos levantaram a mão", relata.

"Há tanta roupa no mundo, de todos os lugares, que se pode comprar roupas vintage, de segunda mão, e isso é ótimo". "Sempre há uma maneira de ter pouco, mas bom".

O valor artesanal em tempos de IA

"A revolução digital e a mudança climática são duas forças que estão moldando a humanidade", reflete.

Em um mundo onde tudo parece se acelerar, especialmente após a ascensão da inteligência artificial, mais do que nunca "haverá uma necessidade autêntica de criação feita à mão. A parte humana, a parte do nosso cérebro que é única em nós, a parte que brilha na humanidade, vai importar cada vez mais", diz Hearst.

E essa humanidade é um dos valores que ela diz encontrar em seu país natal.

Lá, uma rede de cooperativas de centenas de mulheres tecelãs, a Manos del Uruguay, confecciona peças artesanais para a marca de Hearst, com teares manuais ou simplesmente com um par de agulhas de tricô.

O que nasce de suas mãos no campo uruguaio aparece nas passarelas, em capas de revistas como a Vogue, ou na televisão, como uma manta multicolorida que causou furor após aparecer sobre as pernas de Sarah Jessica Parker na sequência de Sex and The City.

"É incrível que nosso artesanato chegue tão longe", disse à AFP Mabel Bargas, de 60 anos, uma das tecelãs da organização.

Juntamente com o aumento da demanda, a colaboração com Hearst e outras marcas internacionais lhes trouxe mais visibilidade.

É um 'match' perfeito porque tanto a Manos del Uruguay quanto Gabriela Hearst carregam em seu DNA a missão de enaltecer os saberes artesanais relacionados com "a vida mais lenta do campo", explica Lucía Benítez, estilista da rede de cooperativas.

Para Hearst, o impacto social de seu trabalho é parte fundamental do legado que ela quer deixar.

"Não podemos perder a conexão humana". Aqueles que têm o privilégio de não estar lutando para sobreviver "temos a responsabilidade de ajudar os outros", diz ela.

"A melhor ideia" é aquela que "ajuda a muitos", conclui.

Este artigo foi traduzido para português com o auxílio de uma ferramenta de IA.

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Em resumo
  • A estilista Gabriela Hearst, nascida no Uruguai, é uma defensora do luxo sustentável, combinando fibras naturais, trabalho artesanal e baixo impacto ambiental, influenciada por sua infância na natureza.
  • Hearst desafia o 'fast fashion' ao promover a qualidade em vez da quantidade e o consumo de peças atemporais, incentivando a compra de roupas vintage e de segunda mão como uma alternativa sustentável.
  • Em um mundo cada vez mais digital, Hearst valoriza o trabalho artesanal e a conexão humana, colaborando com cooperativas de tecelãs uruguaias como a Manos del Uruguay, que confeccionam peças para sua marca, destacando o impacto social de seu trabalho.
Gabriela Hearst