O bilionário Bernard Arnault no centro de uma nova biografia
Paris - De sua infância nas terras do Norte à sua presença na segunda posse de Donald Trump, Bernard Arnault, chefe da número um mundial do luxo LVMH, é tema de uma biografia crítica publicada na quarta-feira, a primeira na França em mais de 20 anos.
Com "Bernard Arnault, son univers impitoyable", publicado pela editora La Tribu, a especialista do setor da moda Audrey Millet relembra a infância deste filho de boa família de Roubaix - seus pais dirigiam uma empresa de construção civil - e sua ascensão até se tornar um dos homens mais ricos do mundo, à frente de uma fortuna familiar estimada pela Bloomberg em 162 bilhões de dólares em junho de 2026.
A autora menciona sua passagem pela prestigiosa escola francesa Polytechnique, onde o jovem se destaca no cálculo de probabilidades, mas menos em cultura geral, a julgar por suas notas. O livro dedica notavelmente algumas linhas ao seu estágio obrigatório na escola de engenharia de Angers, onde os militares concluem que ele é "inapto para receber um cargo de responsabilidade".
"O que o exército francês identifica então como falhas de comando, a gestão dos anos 1990 vai rebatizá-las: agilidade, liderança transformacional, espírito empreendedor. O mundo vai mudar sua grade de leitura", analisa Audrey Millet.
Depois vêm as aquisições: primeiro a Boussac em 1984, império têxtil que detém a pérola Christian Dior; depois a LVMH, então composta por Louis Vuitton e Moët-Hennessy, ao final de manobras que levaram a comissão de operações da Bolsa a investigar.
Dezenas de outras casas são então compradas para construir o império atual de 75 empresas: Givenchy, Kenzo, Guerlain, Sephora, Pommery, ou ainda Les Échos, Paris Match. Algumas tentativas de aquisição falham, como a Gucci, finalmente arrebatada em 1999 pelo grupo PPR de François Pinault, ou a Hermès, um caso no qual a LVMH foi sancionada pela Autoridade dos Mercados Financeiros.
O livro também mostra nas entrelinhas o apoio que o empresário recebeu do Estado, especialmente para a compra da Boussac ("É o Estado francês que financiará a operação com toda a legalidade", escreve a autora).
No início de junho, o Le Canard enchaîné mencionou pressões por parte de pessoas próximas ao bilionário sobre a La Tribu, que faz parte do grupo Les Nouveaux Editeurs (no qual François-Henri Pinault, presidente do grupo de luxo Kering, tem participações através de sua holding Artémis).
"Posso dizer que a pressão foi muito forte", indicou à AFP a editora do livro, Julia Pavlowitch, sem dar mais detalhes. "Este livro é uma publicação livre de um editor independente, em nada influenciada por seus acionistas (...). É uma edição tradicional, como existe cada vez menos", continua a editora. Contatada pela AFP, a LVMH não quis comentar.
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