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Reforma de certificação para cadeia coureiro-calçadista prevê novo cenário para o setor


As práticas verdes vem tomando cada vez mais espaço em todos os setores. A Origem Sustentável, certificação de sustentabilidade da cadeia coureiro-calçadista nacional deu mais um passo nesse sentido com uma reformulação divulgada na última semana. A iniciativa conjunta da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couros, Calçados e Artefatos (Assintecal) e Instituto By Brasil (IBB) reavaliou critérios e princípios relativos ao processo de auditorias e revisou indicadores.

A iniciativa que entra em vigor em março levou em consideração mudanças nos conceitos de sustentabilidade desde 2013, quando foi lançada a certificação. Entre as diretrizes, o Pacto Global da ONU e a revisão das normas ambientais e de segurança ocupacional foram destacadas em comunicado pelo consultor Álvaro Flores, envolvido na reformulação.

Novo cenário

Em entrevista à FashionUnited, Cristian Schlindwein, gestor de Projetos da Abicalçados, explicou que com a mudança, a categoria branca, por exemplo, destinada a qualquer empresa que aderisse ao processo, foi eliminada. Dessa forma, somente empresas que atinjam 50 por cento dos indicadores poderão ser certificadas na categoria inicial, a Bronze. Para chegar à Prata, as companhias precisam estar de acordo com 75 por cento dos indicadores. Já para a Ouro, devem obter 90 por cento, ficando com Diamante apenas as empresas que atendam a 100 por cento dos requisitos.

O reposicionamento também acrescentou auditorias externas para comprovação e posterior certificação. De acordo com Schlindwein, além das entidades envolvidas, as auditorias também serão realizadas pela equipe técnica do Senai. A àrea de cobertura dos indicadores também foi ampliada e passou a abranger dimensões econômicas, ambientais, sociais e culturais, que deverão ser integradas com modelos de gestão da sustentabilidade na empresa. Com isso, os indicadores passam de 52 categorias para mais de 100, respeitando padrões internacionais. “Os novos indicadores e formato das auditorias integram mais uma mudança que virá a seguir: a adoção de parâmetros exigidos pelo Inmetro, órgão que será parte do programa em breve”, completou.

Além do lançamento do reposicionamento, a Abicalçados e a Assintecal estão preparando uma série de atividades para sensibilizar e apresentar de forma mais ampla o programa às empresas, segundo Schlindwein. Desde apresentações in loco, com workshops temáticos, e-books ou cartilhas práticas, até a formalização de parcerias estratégicas para fortalecer e credenciar a importância da certificação.

Bons exemplos geram bons exemplos

Com o objetivo de estimular a adoção do certificado por mais indústrias envolvidas, desde o fornecimento até o produto acabado, a Abicalçados também anunciou um acordo com a Assintecal e as gigantes Arezzo e Piccadilly, além da rede Bibi, primeira a receber certificação integral, no final de 2018. “As empresas que sinalizam responsabilidade e preocupação com a sustentabilidade em programas assim, mostram ao mercado a importância de se ter fornecedores preocupados com a questão. Isso provoca um efeito em cadeia, no qual os fornecedores terão que se adequar para vender a estas empresas”, indicou.

Para Schlindwein, sustentabilidade não se trata apenas do cuidado com as questões ambientais, mas também com o desenvolvimento social, cultural e dos negócios. De acordo com ele, “a certificação não é um artifício de marketing, desempenha um papel importante na organização interna para melhoria da gestão, identificação de problemas na produção, assim como melhoria das práticas para o mercado e elevação do padrão e reconhecimento da empresa perante o consumidor”.

Atualmente o programa conta com 143 empresas inscritas, sendo 17 de calçados e 126 fabricantes de insumos e componentes para o calçado.

Foto: Pixabay

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