Negócios

Setor têxtil sofre com problemas internos e incertezas externas

Renato Jardim, superintendente de políticas industriais e econômicas da Abit Associação Brasileira da Indústria Têxtil e do Vestuário gravou video na semana passada mostrando os indicadores econômicos do primeiro semestre do ano.

“Apesar das expectativas que alimentávamos logo após as eleições, todos os indicadores mostram que nosso mercado ainda está patinando”, iniciou o executivo. “Dados de varejo e dados de produção mostram que não houve retomada nas vendas; o inverno já está no fim, o Dia dos Pais, passou e nada praticamente aconteceu”, explicou.

Segundo Jardim, o que se espera é que a partir de setembro, quando houver entre os dias 6 e 15 a Semana do Brasil, o setor de varejo fique um pouco mais aquecido. “Normalmente, o segundo semestre costuma ser melhor, uma vez que há o Dia da Criança, Black Friday e Natal, mas continuamos afirmando que são apenas expectativas, que esperamos que se confirmem”, concluiu.

Entre janeiro e junho de 2019, houve uma queda de 0,4 percentuais no varejo de vestuário e de 0,2 percentuais na produção de vestuário em relação ao mesmo período de 2018. As importações de vestuário caíram 15,69 por cento no mesmo período, confirmando a pouca demanda.

Eleições na Argentina e guerra comercial entre EUA e China

Vale lembrar também que a incerteza externa tem o poder de afetar nossa economia. A questão eleitoral na Argentina e guerra tarifária entre China e EUA estão na berlinda.

As exportações para a Argentina, nosso principal comprador de produtos têxteis e confeccionados, vêm caindo bastante, especialmente nos últimos quatro anos. Sendo assim, a instabilidade causada pelas eleições argentinas nos afeta de forma direta. Nas pré-eleições a oposição ganhou fôlego -- caso este resultado se confirme em novembro, novas perdas para nossa exportação podem ser registradas.

"A guerra comercial entre EUA e China é outro dado externo que nos causa uma certa ameaça, embora a participação brasileira no mercado americano seja muito pequena”, adverte o superintendente. O Brasil está em 48o lugar na lista de países que exportam produtos têxteis e de confecção para os EUA, sendo que a China está em primeiro lugar. Caso não importem mais esses produtos da China, a tendência é que os EUA passem a importar de outros países asiáticos, como Vietnã, Índia e Bangladesh. Além disso, segundo Jardim, há a tendência da China direcionar suas exportações para outros países, entre eles o Brasil.

Foto: Artificial Photography/Unsplash