Quem foi William Travilla o figurinista de Marilyn Monroe
Há exatos cem anos, em 1 de junho de 1926, nascia em Los Angeles Norma Jeane Mortenson. Ela mesma escolheu o nome com o qual viveria como sex symbol, modelo, atriz e cantora em seu trigésimo aniversário. Marilyn Monroe se consagrou como um ícone, mas para seu guarda-roupa, ela precisava de William Travilla. Qual foi a contribuição do figurinista para a 'marca' Monroe?
Talento natural
William Travilla (1920–1990) cresceu em Los Angeles, assim como Monroe, mas sem os orfanatos e lares adotivos. Aos oito anos, "Billy" demonstrou tanto talento que foi admitido na prestigiada escola particular Chouinard School of Art. Na adolescência, ele ganhava um dinheiro extra vendendo esboços de dançarinas de clubes burlescos por três dólares cada. Os corpos delas, e como se moviam, o fascinavam.
Após um período de estudos e muitas viagens, ele se renderia ao seu talento. Em 1949, ele ganhou seu único Oscar de Melhor Figurino. Junto com dois colegas, ele criou o figurino masculino de época para o romance espanhol As Aventuras de Don Juan.
No entanto, sua verdadeira vocação era esculpir a figura feminina, de preferência com figurinos teatrais. Ao vestir atrizes como Sonja Henie, Ann Sheridan e Jean Peters, seu nome circulou pelas colinas de Beverly Hills. A partir de então, ele era simplesmente 'Travilla'. Monroe se tornou sua musa mais importante.
Travilla amava o glamour das roupas em si, mas não gostava tanto da cena. Ele também era uma pessoa prática. Quando estudante, ajudava seu pai com trabalhos na empresa de pneus de carro dele. Ele preferia escapar do ambiente de Hollywood, às vezes por meses, para se refugiar em uma cultura desconhecida, como uma tribo na África ou na América do Sul. Essa natureza realista se reflete na construção sólida de seus figurinos.
Em 1957, Travilla deixou os estúdios de cinema para fundar sua própria casa de moda, novamente chamada 'Travilla'. No final dos anos 70, ele passou para a televisão durante o auge das séries dramáticas americanas. Após sua morte em 1990, parceiros de negócios mantiveram a linha de roupas, já popular, ativa. A marca foi vendida em lojas de departamento de luxo como a Saks Fifth Avenue até 2002.
O encontro de Travilla e Monroe
Em 1950, quando Monroe ainda era uma atriz relativamente desconhecida, ela usou o provador de Travilla. Na época, ele tinha contrato com a Twentieth Century Fox. Uma das alianças criativas mais frutíferas de Hollywood nasceu daquele encontro fugaz. Monroe se tornou uma grande amiga e, por um breve período, uma amante. Ela lhe enviou um calendário de nus, assinado com as palavras: "Billy, querido, por favor, me vista para sempre. Eu te amo, Marilyn."
Oito filmes
Monroe e Travilla colaboraram subsequentemente em oito longas-metragens: Almas Desesperadas (1952, vestido de coquetel preto); O Inventor da Mocidade (1952, vestido midi de seda); Os Homens Preferem as Loiras (1953, o icônico vestido dourado com decote halter e o vestido de cetim rosa); Como Agarrar um Milionário (1953, vestidos de noite de renda e cetim); O Rio das Almas Perdidas (1954, vestido vermelho de showgirl); O Mundo da Fantasia (1954, vestidos transparentes e cor de champanhe); O Pecado Mora ao Lado (1955, o mundialmente famoso 'vestido do metrô' branco e plissado); e Nunca Fui Santa (1956, vestido bustiê de showgirl verde e preto).
Por baixo de roupas aparentemente simples, Travilla construía estruturas com espartilhos, barbatanas, enchimentos e arame para destacar a silhueta de ampulheta de Monroe. Ao fazer isso, ele evitava a nudez explícita, pois ela elimina a tensão. Ele considerava a ilusão mais poderosa. E ele estava certo.
Monroe também não era superficial por dentro. Os papéis de loira, ou de boneca, foram em sua maioria impostos a ela pela Twentieth Century Fox. Até mesmo sua voz sensual era uma afetação, uma técnica para mascarar sua gagueira. Travilla conhecia a mulher ponderada por trás da persona pública de bombshell. Com seus designs bem pensados e sugestivos, ele deu uma contribuição silenciosa para seu status de estrela.
Vestidos que fizeram história
A criação mais famosa de Travilla é o 'vestido do metrô' branco da famosa cena noturna em O Pecado Mora ao Lado, que sobe com o vento de uma grade do metrô, imortalizando a imagem pública de Monroe. Para o tecido, ele escolheu um crepe de acetato de celulose branco-marfim. Ele preferia tecidos naturais como a seda, mas um componente sintético foi necessário para alcançar a estrutura de plissado 'sunburst'. Para realizar essa proeza, Travilla não confiou em costureiras locais, mas enviou o tecido para as irmãs Antonini em Roma. Elas aplicaram as pregas à mão. O vestido foi leiloado em 2011 por 4,6 milhões de dólares.
Dois anos antes, Travilla já havia mostrado como trabalhava bem sob pressão com o vestido de noite rosa em Os Homens Preferem as Loiras (1953). Para o número 'Diamonds Are a Girl's Best Friend', ele havia originalmente desenhado um body de arrastão que mal cobria o corpo. O chefe do estúdio achou a ideia excelente até que as fotos de Monroe nua vieram à tona, com todas as consequências decorrentes. Ele recebeu 48 horas para criar uma alternativa mais modesta. Travilla costurou em tempo recorde um vestido de seda 'rosa-choque' sem alças, reforçado por dentro com feltro. O grande laço nas costas não é simplesmente preso com um alfinete, mas está ligado à parte superior do corpete com uma prega complexa.
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