As cores tendência como modelo de negócio: os bastidores da nova Première Vision
Em setembro de 2025, a FashionUnited deixou a Première Vision Paris com a ideia de que a feira se abriria a setores até então distantes do têxtil, do couro e dos acessórios de moda.
Seis meses depois, para a edição que acontece de 3 a 5 de fevereiro de 2026, o fio condutor desta nova estratégia é explícito. Na realidade, ele não é vermelho, ele adota as cores da estação. Neste caso, a primavera-verão 2027.
No momento em que a Première Vision não quer mais ser apenas uma feira de fornecedores, mas uma geradora de ecossistemas criativos, a cor se torna um código transversal, uma ferramenta comum entre indústrias, uma porta de entrada para além do têxtil.
Quando as cores da estação assinam uma mudança de categoria estratégica
A cartela de cores da estação, revelada pela Première Vision, é criada por Desolina Suter, diretora de moda, em consulta com escritórios de estilo internacionais, que atuam em diferentes mercados geográficos. A diretora de moda agrega todos esses dados.
O resultado é uma gama cromática de tendência que funciona, segundo Frédéric Loeb, consultor para todas as feiras da GL Events, como um "solfejo universal", ou seja, uma partitura comum, compartilhada por todas as indústrias criativas. "As cores tendência da estação permitem ter uma visão mais transversal, um pouco menos focada no negócio principal histórico, ou seja, os tecidos, os acessórios e o couro", explica o consultor à FashionUnited.
E acrescenta: "vamos ampliar progressivamente o espectro, vamos tentar, experimentar, fazer testes para ver onde podemos buscar fontes de apoio para substituir certos setores industriais têxteis que estão perdendo força."
Beleza, confeitaria, música, fotografia e perfumaria são os novos territórios de expressão criativa da Première Vision
É no espaço Prospective (Pavilhão 5) que essa expansão do modelo se materializa concretamente. A primeira experimentação de negócios foi realizada em setembro de 2025 com a Fiabila. Seis meses depois, a marca repete sua participação.
A Fiabila possui mais de 40 anos de experiência na formulação e produção de esmaltes, cores e tratamentos para unhas. A Fiabila opera como white label e, portanto, pode atender às necessidades de marcas que desejam adicionar um esmalte combinando à sua coleção têxtil.
Para esta edição, este importante player do mercado mundial de esmaltes está acompanhado por uma "Next Gen" (Nova Geração Criativa) com perfis variados: perfume, fotografia, confeitaria, DJ. O objetivo? Trazer frescor, desestruturação, desinibição.
Para o jovem confeiteiro Davis Félicité, convidado para o espaço Prospective, a cor é o ponto de partida de suas criações: "Eu faço muitas sobremesas bem coloridas", explica ele à FashionUnited. "Tenho propostas que são amarelas, rosas ou vermelhas, mesmo que seja para contrariar as expectativas."
Aqui, a cor não é decorativa, ela é estrutural e conceitual. Nesse sentido, as paletas de tendência da feira são uma inspiração direta. Ao explorá-las, ele cria um diálogo com a moda, usando a confeitaria como outra paleta de expressão, que as marcas podem se apropriar para seus eventos ou em ofertas de produtos.
A dupla de DJs Abondance reivindica uma ligação direta entre as cores da moda e as composições musicais. O método deles não consiste em traduzir cientificamente uma tonalidade em som, mas em passar pelo imaginário: assim, um laranja evoca um pôr do sol que eles associam ao deep house, etéreo e imersivo.
Por outro lado, luzes chamativas pedem um estilo de música muito mais rítmico. A cor se torna então um indicador de atmosfera, um ponto de partida para definir o ambiente sonoro de uma marca.
Ao microfone da FashionUnited, Malo e Félix explicam que foram convidados para a feira Première Vision após um encontro na Sirha, feira profissional de restaurantes e gastronomia organizada em Lyon pelo grupo GL events: "Frédéric nos apresentou um projeto para fazer a Première Vision evoluir para formatos mais experimentais, integrando propostas musicais à estrutura da feira."
Fotógrafo e diretor, Victor Boccard faz da cor o ponto de partida de cada projeto. "Enquanto eu não encontrar a cor, o moodboard não existe", afirma ele. Suas imagens nascem primeiro de uma tonalidade dominante ou de uma dupla de cores, que então estrutura todo o shooting.
Além disso, as paletas da estação são uma referência, "vir à Première Vision me permite antecipar o que será feito no próximo ano", influenciando tanto as cores quanto as texturas de seus cenários. Essa exposição também lhe permite encontrar futuros clientes, em um contexto um pouco tenso para os artistas fotógrafos, apesar de suas inúmeras referências (LVMH, Chanel, Christian Louboutin, etc.).
No estúdio de produção fotográfica Red Kids, a cor passa pela sugestão. Suas imagens, muitas vezes em preto e branco, buscam menos mostrar as tonalidades do que evocá-las. "Representamos as cores sem necessariamente vê-las com nossos olhos, mas podemos percebê-las com a imaginação", comentam Noé Chiabai e Miquel Badia. Uma escolha que abre espaço para a interpretação de quem olha, tornando a cor uma experiência mental em vez de um simples efeito visual.
Maison de composition de parfums, Robertet fait de la couleur le point de départ de la création olfactive. Pour ce projet, Sidonie Lancesseur a eu carte blanche pour créer des notes à partir des pantones de couleurs. Elle a choisi les couleurs qui l’inspiraient le plus.
Cada tonalidade se torna uma matéria-prima: um rosa pálido associado ao ylang-ylang traz uma sensação de creme ultra-reconfortante; um vermelho escuro e um azul são traduzidos pela íris com toques resinosos e de couro; os ocres evocam o deserto para um acorde de areia e marinho; finalmente, um vermelho alaranjado é construído em torno do cassis. A paleta cromática se transforma assim em uma paleta olfativa.
Essas abordagens Next Gen, ainda periféricas, esboçam novos apoios criativos e participam da abertura do setor. A moda ainda pode funcionar de forma isolada em torno de sua única proposta têxtil? Os players tradicionais estão prontos para sair da caixa? O sucesso de uma marca realmente nasce onde se espera? É preciso, então, explorar outros territórios? Todas essas questões surgem ao final da Première Vision Paris de fevereiro de 2026.
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