Chanel mantém a liderança do Lyst Index e Massimo Dutti protagoniza a maior ascensão do trimestre
Com um segundo trimestre marcado primeiro pela volatilidade climática de uma primavera imprevisível e, depois, pelo impacto de ondas de calor históricas que percorreram a Europa, o verão acabou por se impor também nos hábitos de consumo.
Chinelos, óculos de sol, roupas leves e tudo o que está associado às férias lideraram as buscas na Lyst, a plataforma britânica especializada em busca e descoberta de moda, que publicou seu já tradicional relatório correspondente ao segundo trimestre de 2026, o período entre abril e julho.
O Lyst Index, elaborado trimestralmente pela empresa, analisa o comportamento de mais de 160 milhões de compradores por ano a partir de dados de buscas, vendas, menções em redes sociais, conteúdo editorial e novos canais de descoberta impulsionados por inteligência artificial. Com esta informação, o relatório oferece uma radiografia das marcas, produtos e fenômenos culturais que marcaram a conversa global sobre moda durante o trimestre.
O luxo sustenta o topo
A Chanel volta a liderar a classificação e confirma que o poder das grandes maisons permanece intacto. A liderança da marca francesa é impulsionada por coleções como “Coco Beach” e “Métiers d'Art 2026”, além do auge de seus óculos de sol shield — ou de máscara —, um de seus designs mais icônicos, futuristas e cobiçados. Este modelo entra para a lista de produtos mais relevantes após registrar um aumento na demanda de 363 por cento.
A Miu Miu recupera sua posição no pódio e sobe dois postos para se situar na segunda posição, com um crescimento de +30 percentuais, enquanto a Dior completa o top três das marcas com maior relevância.
A grande protagonista do trimestre é a Massimo Dutti, que consolida a trajetória iniciada com sua primeira aparição no Lyst Index do trimestre passado. A marca espanhola da Inditex sobe oito posições até alcançar o 10º lugar, com um aumento da demanda de +43 por cento. Seu crescimento responde a uma combinação de apelo aspiracional, maior presença cultural e uma notável visibilidade entre celebridades durante o Festival de Cannes.
A Celine também ganha terreno, com uma ascensão de cinco posições para o 15º lugar (+31 percentuais), graças ao interesse gerado pelas primeiras propostas de Michael Rider à frente da casa, enquanto a Chloé sobe três postos para o 11º lugar (+20 por cento).
A designer britânica Phoebe Philo também estreia no ranking a partir do 18º lugar com um aumento da demanda de +29 percentuais. Segundo a Lyst, sua entrada reflete o apetite cultural de um público conhecedor que se traduz em calor de marca, apesar de uma rede de distribuição ainda reduzida.
O produto como protagonista
Enquanto o ranking de marcas confirma a força do luxo estabelecido, a classificação de produtos revela onde o desejo do consumidor realmente se concentra. Neste trimestre, a conversa tem um protagonista claro, o verão.
O calçado concentra boa parte desse interesse, com as “Jelly Shoes” da Skims (+2.170 por cento), as sandálias “Vittoria” da Gucci (+1.322 percentuais), as “Jelly Mules” da Chloé (+657 por cento) e as sandálias de dedo da Massimo Dutti (+304 percentuais) entre os produtos mais procurados. Também se destacam outras peças de estilo resort, como a estola “Madame-T” de Issey Miyake (+501 por cento), as calças “Iona” da Dôen (+96 percentuais) e o vestido “Daylight” da Zimmermann (+322 por cento).
O esporte ganhou peso como motor da descoberta de moda, em um trimestre marcado pelo Mundial. O boné do New York Knicks foi o produto mais procurado (+4.276 por cento), impulsionado pela vitória da equipe na NBA, enquanto a camiseta da colaboração entre a Adidas e o designer Willy Chavarria também se situou entre os produtos mais desejados (+373 percentuais). Para a Lyst, os grandes eventos esportivos expandem o alcance da moda e transformam a atenção de novos públicos em buscas e compras, por isso as marcas não deveriam perder de vista o calendário de grandes eventos como uma oportunidade para se conectar com novos consumidores.
Essa abertura de terreno beneficia também as marcas emergentes, a plataforma destaca o crescimento da tailandesa Voranida (+232 por cento) e da norte-americana Literary Sport (+231 percentuais), fundada pela designer Ana Kras.